Crowdshipping: entenda o termo

Pessoas comuns fazendo entregas da maneira que preferirem, com prazos e preços combinados individualmente. Essa seria uma definição de algo que sempre aconteceu, em maiores ou menores escalas, dependendo do local e do país, mas que hoje tem tomado outras proporções. 

 

Isso porque plataformas online estão sendo criadas para reunir os entregadores, conectá-los ao usuário final e realizarem, assim, a prestação de um serviço que propõe ser rápido e de baixo custo, substituindo as formas tradicionais de entrega e logística. 

 

Conhecida como Crowdshippingessa técnica remete à multidão (Crowd) e remessa (Shipping), tendo como objetivo o ganho em larga escala, pela disponibilidade de entregadores onde for, a hora que for, sem vínculo direto com a empresa.     

 

O meio de transporte também muda. Em vez da frota tradicional, quem faz o serviço pode optar pelo que tem em casa, seja carro, bicicleta ou mesmo a pé. Já quem compra o serviço tem a vantagem de poder escolher meios menos poluentes, fazendo uma escolha mais consciente ao planeta. 

 

Em todo o mundo, os serviços de crowdshipping estão crescendo e uma pesquisa recente da consultoria eMarketer aponta que esse ramo deve movimentar cerca de US$ 4 trilhões em 2020. 

 

Claro que nem só pontos positivos esse termo traz. Do ponto de vista de risco, acaba sendo muito maior o risco de deixar suas entregas nas mãos de indivíduos e não de uma empresa, tanto pelo possível extravio como pela falta de controle de rastreamento do produto e do meio de transporte da entrega – assim como o histórico pessoal de quem está fazendo sua entrega.  

 

Em caso de extravio ou troca de produto, a regra que vale também é da plataforma utilizada. Se ela tem seguro contratado, com trâmites que são possíveis de serem cumpridos pelo usuário, sem que haja má fé das partes envolvidas, o prejuízo pode ser minimizado. Mas, ainda assim, ele é bastante presente.  

 

Outro ponto que tem incentivado o crowdshipping é a redução da circulação de caminhões nas zonas urbanas, fazendo com que sejam necessários horários restritos de entrega ou mudança de veículos de grande porte para outros não restritos. Para entregas emergenciais, são os indivíduos cadastrados nas plataformas de crowdshipping os mais aptos a realizarem as entregas nos perímetros urbanos. 

 

Soma-se a esse fato o crescimento constante do e-commerce. Desde 2014, enquanto a economia brasileira passou anos seguidos de crescimento inferior 1%, incluindo dois anos de retração, o e-commerce no Brasil manteve sua trajetória positiva. 

 

E ainda há potencial. O comércio online em 2017 movimentou perto de R$49 bilhões no Brasil, enquanto o varejo no geral movimenta em torno de R$1,39 trilhões – isso significa que o e-commerce está apenas em 3,5% do total do varejo nacional (número que nos EUA se aproxima de 12%). 

 

Com todo esse crescimento, o ponto mais descoberto é justamente o que o crowdshipping diretamente ataca: o last mile delivery, como é chamada a operação de entrega final de produtos ao consumidor em centros urbanos. 

 

E esse não é mais um mundo restrito às startups. Notícias recentes sobre os Correios, por exemplo, já apontaram que eles estão estudando de perto esse filãoplanejando uma modalidade de entrega baseada em aplicativo que lembra o Uber, mas para pessoas normais, com seus veículos próprios, realizarem entregas. Ao que tudo indica, a empresa de transporte e logística já está em negociação com uma empresa de tecnologia para lançar o aplicativo.

 

Outras muitas devem surgir nos próximos anos, sejam startups ou grandes corporações, realizando esse movimento de descentralização das entregas, ancorado na tecnologia. Basta estarmos todos atentos: empresas tradicionais buscando a modernização e a cooperação com startups e empresas de tecnologia; e cidadãos cientes de que serviços estão contratando, dos riscos que estão assumindo e nas mãos de quem estão colocando seus produtos. 

 

Sobre o Autor   

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.    

www.tegup.com 





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