Mudança tecnológica ou social?

O Brasil tem 17 milhões de pequenos negócios, que representam 99% do total de empresas do país e 52% dos postos de trabalho, segundo o Sebrae.

Os negócios de impacto social têm movimentado cerca de US$ 60 bilhões no mundo, com aumento aproximado de 7% ao ano, segundo levantamento da Aspen Network of Development Entrepreneurs, uma rede de empreendedores de países em desenvolvimento. Nesse universo, o Brasil ocupa lugar privilegiado: é o segundo maior mercado de negócios de impacto social na América Latina.

De um lado, temos um volume gigante e ascendente de empreendedores. Do outro, a globalização, a mão de obra disponível e o acesso crescente à informação para o desenvolvimento de tecnologias locais. Nesse contexto, é natural o surgimento de negócios focados em tecnologia, mas que possuem um objetivo maior do que o lucro pelo lucro.

Em dezembro de 2018, o World Summit Awards (WSA), iniciativa global que conta com o apoio das Nações Unidas e reconhece os conteúdos digitais mais inovadores do mundo, com foco principalmente no impacto e melhorias propiciadas às suas comunidades, teve um vencedor brasileiro.

A AVISA – Assistente Virtual para Inclusão Social e Autonomia – foi o projeto premiado. Trata-se de um conjunto de aplicações para ajudar pessoas com problemas de visão a lidarem com tecnologia em dispositivos mobile, como celulares e tablets. Os apps oferecem um assistente virtual inteligente, com capacidade de diálogo com o usuário, utilizando técnicas de processamento de linguagem natural.

Os apps CPqD Alcance, CPqD Alcance+ e CPqD Facilita permitem que cegos ou pessoas com visão reduzida, idosos e pessoas com baixo letramento consigam utilizar seus smartphones. Assim, levam para esse grupo de pessoas mais autonomia, privacidade e bem-estar.

Nós vivemos hoje em um ambiente completamente diferente – através da revolução do mobile, do surgimento da era dos algoritmos – dados se tornaram um capital na mesma medida que a força de trabalho, terras, dinheiro ou máquinas. (…) é mais importante que nunca destacarmos os conteúdos em tecnologia que realmente oferecem soluções sociais e impactam. A WSA mostra inovações que usam ICT (tecnologias da informação e comunicação) para conexão social. É conectar para impactar”, diz o presidente da associação, Peter A. Bruck.

A premiação WSA é dividida em várias etapas e tem 8 categorias premiadas. Ao lado do projeto brasileiro, foram escolhidos outros de mobilidade, combate ao preconceito e à desigualdade, educação, entre outros temas.

Por exemplo, o GirlyThings, um app paquistanês para empoderar as mulheres de seu país a reduzirem a desigualdade; o Grasshoppers, do Sri Lanka, um app de e-commerce que está incentivando o empreendedorismo no país; o Feelif, na Eslovênia, oferecendo IoT (Internet das Coisas) para apoiar cegos no dia a dia; e o M-Shule, do Quênia, que está melhorando a educação do país ao usar inteligência artificial (AI) para conectar estudantes.

Mais que obter o simples lucro, o que define todos esses negócios é o objetivo de gerar transformação nas comunidades em que estão inseridos. “Os [negócios] que estão surgindo hoje, a grande maioria são startups, são jovens que começam a olhar para a base da pirâmide como uma oportunidade para também atender um anseio de contribuir pra uma causa”, explicou recentemente em uma entrevista Célio Júnior, Gerente de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade do Sebrae.

Quando falamos de transporte e logística, há ainda um universo inteiro de possibilidades sendo geradas no Brasil e no mundo. Uma bastante interessante é um projeto de drones para ajuda humanitária.

Para pessoas que vivem em áreas remotas, ir ao médico ou fazer exames pode ser algo muito difícil. Por isso, drones estão sendo usados para transportar suprimentos médicos ou recolher amostras de sangue para realização de testes em laboratórios e rápida descoberta de doenças. Algumas empresas já usam essa tecnologia há anos, como a californiana Zipline, que usa drones para entregar sangue para transfusões em Ruanda e na Tanzânia (percursos com cerca de 150km). Com a evolução dos drones, essas empresas podem ir ainda mais longe, realmente atendendo áreas remotas.

Também com aplicação no mundo inteiro, outro app, o World Cleanup, criado na Estônia pela fundação Let’s Do It!, em código aberto e em parceria com centenas de voluntários ao redor do mundo, realiza ações de coleta de lixo e sustentabilidade. A plataforma desenvolvida mapeia o lixo no mundo, permitindo o upload da localização exata, tipo, tamanho e imagem do lixo, que pode assim ser coletado por voluntários, prefeitura, ou utilizado por empresas para a reciclagem – mercado em crescimento e ainda com alto potencial de expansão.

O melhor de tudo: negócios sociais não têm apenas propósitos, têm investimentos reais. Uma pesquisa feita com a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) mostrou que foram alocados US$ 1,3 bilhão em investimentos de impacto na América Latina em 2014 e 2015. O Brasil foi o segundo maior mercado da região e continua crescendo, a passos largos.

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Sobre o Autor 

A tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

www.tegup.com.  





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