O potencial das soluções MaaS (Mobility as a Service)

Os softwares que comprávamos se tornaram assinaturas digitais. O carro próprio aos poucos vai sendo substituído pelo compartilhado, bike e até patinete. O DVD quase não é mais comprado, quando se tem Netflix. Até lojas de roupa estão disputando com outras que alugam as vestes por um período determinado e que mantêm a fidelidade do cliente com assinatura mensal. O mesmo processo de transformar bens em serviços acontece nos mais variados setores.   

O modelo Mobility as a Service (MaaS), em português Mobilidade como Serviço, é um formato de negócios caracterizado pela oferta de serviços de transporte personalizado, com gestão de viagem dinâmica, flexibilidade de pagamento, facilidade de transação e planejamento de viagem. Além disso, tem como objetivo otimizar a experiência do usuário ao acompanhar a demanda em tempo real e combiná-la de forma dinâmica com a oferta de transportes. 

O mercado de MaaS tem crescido tanto que nos Estados Unidos já existe a MaaS Alliance, uma iniciativa público-privada criada para fazer uma abordagem coletiva e crescente da MaaS. Com 60 membros globais, ela entende e reforça que o crescimento desse setor está centrado na integração entre empresas e entre os interesses público e privado. 

Entre as empresas de MaaS, há as do setor de transporte, de logística e de tecnologia. Até mesmo as prefeituras estão lançando serviços dentro desse conceito. A Prefeitura de Madri lançou recentemente um app de MaaS que integra todos os modos de transporte multiusuário. No caso de Madri: BiciMAD, Car2Go, Emov, eCooltra e Obike. Pelo app, o usuário, além de ser incentivado a não utilizar carro próprio pela economia e facilidade dos demais meios, ainda pode escolher a rota filtrando por opções como a viagem mais rápida, a mais econômica, a menos contaminante e até a mais saudável.  

Um outro app, Whim, vai além e propõe, com um pagamento mensal, o uso de qualquer meio de transporte, integrando transporte público, bike e carro compartilhado. Ele já está sendo usado nas cidades de Helsinki, Birmingham e Antwerp, no Reino Unido, e a previsão é de chegar a 20 cidades.  

O Whim tem ainda outro diferencial, que é a opção do modo de uso do serviço. São três opções: uma gratuita para quem quer testar o app ou não faz muitas viagens por mês, pagando no app exatamente pelo transporte que usar. Uma segunda para quem usa transportes com frequência e pega de vez em quando um carro compartilhado ou táxi (49 euros por mês) e uma terceira opção que cobre todos os tipos de transporte urbano e é vendida como uma alternativa à compra de um carro, com acesso ilimitado a transporte público, táxi e carro (499 euros por mês).  

O MaaS faz parte de um conceito maior, de mobilidade inteligente, que prevê smart cities onde o transporte seja autônomo, muito mais veloz e mais integrado que os atuais sistemas do Brasil e do mundo. No centro do funcionamento das smart cities está a digitalização e o uso de dados de forma integrada por sistemas diversos, entre eles o do transporte.    

O brasileiro Gregório Lima, em sua tese Mobility as a Service na promoção da mobilidade sustentável, identifica algumas características principais que estarão presentes no futuro da mobilidade urbana. São elas: a adoção generalizada de veículos autônomos e elétricos, a utilização cada vez maior de serviços low-cost e compartilhados e um modelo de provisão de transportes através de plataformas online.  

Ele defende também que o MaaS apresenta, além de ganhos de eficiência para o usuário, a possibilidade de uma nova política de transportes com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. A adoção de veículos elétricos e autônomos, por si só, contribuirá apenas para aumentar a eficiência do atual modelo de negócios do transporte urbano, mas a utilização de plataformas online para provisão de serviços de transporte (incluindo serviços low-cost e compartilhado) pode provocar mudanças estruturais no setor e transformar completamente o modo como as pessoas se movem nas cidades. 

 

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Sobre o Autor 

A tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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