10 perguntas para Pedro Neves, Diretor da tegUP

Quando uma startup decide abrir as portas para se apresentar ao mercado, ela se depara com os mais variados tipos de pessoas e empresas, fazendo propostas das mais escusas às mais tentadoras. Ao escolher uma aceleradora para se associar, antes de mais nada ela deve conhecer quem está se propondo a ajudá-la e porquê.  

 

Na tegUP, o propósito foi definido antes do negócio em si, olhando não a curto prazo, mas buscando startups que tenham uma visão sustentável no mercado, que busquem romper os formatos preestabelecidos com organização, estrutura e plano de crescimento.  

 

Assim começou a tegUPem seu primeiro programa de aceleração, em 2017. E, mantendo seu propósito, a empresa continua o caminho que traçou em sua segunda fase de aceleração.  

   

“Olhar para o mercado como um todo, romper modelos, valorizar quem está fazendo melhor” são alguns dos princípios que Pedro Neves, Diretor Executivo da tegUP, aponta para a empresa e aprofunda em entrevista concedida ao nosso blog. 

 

tegUP: Como e por que foi criada a tegUP? Vocês foram pioneiros?  

Pedro Neves: A ideia da tegUP surgiu quando, olhando para a área de TI da Tegma (empresa responsável pela aceleradora e uma das maiores empresas de logística do país), vimos que era necessário ter uma visão bimodal, seguindo as tendências mais recentes do mercado. Não era possível sustentar um ambiente legado, tradicional de TI, com todo seu backlog e, ao mesmo tempo, avançar nos temas inovação e transformação digital.  

 

O negócio precisa que o avanço ocorra nas duas frentesde forma a fortalecer a arquitetura base, tornando-a escalável de forma concomitante com as iniciativas de soluções digitais complementares ou disruptivas.  

 

Assim, ainda em 2016, buscamos algumas startups, como fornecedores da Tegma, e chegamos a fazer prova de conceito com uma delas, mas vimos que poderia ser algo muito infrutífero fazer isto de forma desestruturada, sem um plano de maior prazo.  

 

A partir dali, entendemos que esse movimento era necessário e fundamos um plano de aceleração, com um propósito de revolucionar a logística por meio da transformação digital.  

 

O pioneirismo em logística foi por acaso, descobrimos depois do lançamento.  

 

tegUP: Como vocês entraram nesse universo de startups? 

PN: Nós entramos como uma startup, com pensamento disruptivo, provocando o status quo da empresa, com forte patrocínio da alta direção com grande destaque para o executivo de Logística Automotiva e Marketing Lucas Schettino, que apoiou e defendeu a iniciativa desde o início e continua sendo um dos maiores parceiros e promotores da tegUP. 

 

Começamos em 2016 com planejamento e, em 2017, com o 1º programa, que teve um ano de duração. Mesmo com baixíssimo investimento em divulgação, o programa trouxe muitas startups interessantes. Foram 64 inscritas; 33 passaram para a segunda fase, 12 atingiram a fase seguinte e quatro foram premiadas. Com isso, vimos que era um programa que valia a pena ser recorrente. Em 2018, temos percebido que as startups gostaram de se aproximar da Tegma e já estamos no 2º ciclo. 

 

Também merece destaque que tivemos um grande apoio da consultoria Upaya, principalmente com a figura do Cileneu Nunes, que já atuava como mentor de startups há algum tempo. 

 

tegUP: Quais foram os principais ganhos que eles relataram?   

PN: Primeiro, conseguimos ajudar no direcionamento de alguns produtos desenvolvidos, especificamente no segmento de logística. Muitas vezes, os empreendedores têm um bom produto, bem estruturado, que precisa de pequenos ajustes para crescer 

 

Avaliamos também que nosso networking com o mercado corporativo pode facilitar o acesso das startups a uma rede de clientes amplificada e robusta. 

 

Inclusive, hoje a tegUP tem clientes que não são clientes Tegma, o que foi uma surpresa neste curto tempo de vida.  

 

tegUP: Como foi a aproximação das startups com essas empresas?       

PN: Foi surpreendentemente positiva. O interesse do mercado corporativo pela inovação é grande e criamos a figura do mantenedor para acomodar adequadamente a participação e atendimento deste cliente.  Há um mercado corporativo que quer se aproximar da inovação e busca parceiros para auxiliar nessa aproximação, principalmente em áreas específicas, como a de logística. A Gerdau, por exemplo, hoje é mantenedora da tegUP. Como mantenedora, a empresa pode receber os materiais e classificações das avaliações das startups, ser avaliador dos pitchs junto à tegUP, além de indicar seus profissionais como avaliadores. Promovemos também dias de desafio para inovação, aplicando design thinking, dentre outras metodologias para resolução de problemas.     

 

tegUP: Quais são os diferenciais da tegUP comparada às demais aceleradoras do mercado? 

PN: O foco, conhecimento e especialização em logística, a facilidade de atuar com inúmeros parceiros e a facilitação para as execuções de Provas de Conceito (POC´s) em grandes empresas têm-se demonstrado um diferencial perante outras iniciativas. Temos parceiros com bastante conhecimento em áreas diversas e que apoiam as startups. 

 

tegUP: Qual foi a percepção de vocês no primeiro ano do programa e da seleção de 2018? 

PN: Tivemos 64 startups com inscrições válidas no ano passado e, agora, em 2018, tivemos 65 startups, sendo 40 boas candidatas, com muita aderência com nosso negócio. Ou seja, atraímos as empresas que buscávamos. Não oferecemos prêmios em dinheiro, queremos atrair os empreendedores engajados, que tem paixão e acreditam no que fazem. Importante citar que, dentre as ideias que recebemos em 2017percebemos uma evolução das mesmas, quando do retorno delas, um ano depois.  

 

tegUP: E como está esse universo de startups? 

PN: São poucos os oceanos azuis. Temos muitas empresas concorrendo nos mesmos nichos (internet das coisas, tracking/monitoramento de cargas, etc.), mas muitas oportunidades. Especificamente para o mercado de logística vemos muitas possibilidades de uso de soluções apresentadas pelas startups de forma praticamente imediata nas operações em funcionamento, agilizadas pelas estruturas de Cloud e SaaS. Avaliamos que futuramente haverá uma acomodação e talvez consolidação das soluções. Mas aí, entendemos que passaremos para uma próxima camada de desafio. É um ambiente muito rico. Colaboramos com conhecimento, mas aprendemos muito nesse ambiente de teste, de erro permitido. Percebemos também uma proliferação de empresas abrindo frentes de inovação sem planejamento de proposição de valor e continuidade. 

  

tegUP: Como vocês oferecem conhecimento especializado a essas startups? Quais são as áreas dos profissionais que realizam o mentoring? 

PN: Além do nosso conhecimento em logística, contratamos especialistas para ajudar, como especialistas em marketing digital e pessoas do mercado de venture capital para falar sobre capital de risco, além de profissionais de outras verticais.    

  

tegUP: E há investimentos diretos sendo feitos para as startups escolhidas? 

PN: Analisamos com profundidade, durante três meses, as quatro empresas que selecionamos ano passado, e vimos que, nesse período, as empresas já receberam várias propostas do mercado. Já temos uma que foi selecionada para receber um aporte e estamos em processo de due diligenceVemos que estamos com um mercado aquecido para este tipo de investimento.  

 

tegUP: E qual o futuro que você vê para esse mercado? 

PN: Temos uma transformação de mercado em andamento, tanto no comportamento do consumidor, que se importa menos com a propriedade dos bens, da economia compartilhada e do uso da tecnologia aplicada, que muda completamente o status quo. Por conta disso, muitos modelos de negócios disruptivos continuarão a surgir e evoluir. Repensar o próprio modelo de negócio faz parte do processo de inovação. Não é um desafio de tecnologia pura, sabemos disso. Vemos que é um grande mercado potencial, com inúmeras possibilidades. 

 

tegUP: Qual a mensagem que deixaria para as startups? 

PN: Deixaria uma palavra de resiliência. Geralmente uma startup segue um caminho de contramão, provocação e de transposição de barreiras, mas sempre há espaço para boas ideias. 

10 perguntas para Ian Nunes, Gerente de Relações com Investidores na Tegma

Um dos principais passos para uma startup ser considerada realmente uma empresa promissora é o recebimento de um aporte financeiro. Nesse ecossistema de startups, os olhos e os bolsos são globais e o dinheiro circula em todo o mundo e em todos os setores. Mas há algumas peculiaridades no investimento em startups que diferem do comportamento dos investidores em outros ramos, indústrias e portes de empresas.    

   

No programa de aceleração da tegUP, por exemplo, há apoio de profissionais da área de investimentos para que as empresas incubadas entendam melhor como é o processo de captação de dinheiro no mercado, além, claro, a possibilidade de aportes vindos da própria incubadora ou por indicação dela. A própria Tegma, por ser uma empresa de capital aberto (com ações na bolsa de valores), segue uma série de diretrizes para atender aos anseios dos investidores.     

   

Para quem tem uma startup é fundamental saber se sua empresa está preparada para começar a captação e como funciona esse processo – para que entre nele no melhor momento e munido das melhores ferramentas e informações.    

   

Veja as dicas na entrevista abaixo, feita com quem tem mais de 10 anos de experiência nesse assunto: o Gerente de Relações com Investidores na Tegma, Ian Nunes.     

   

tegUP: Como responsável pela relação com investidores, convivendo com esse nicho diariamente, como você enxerga a busca desses investidores ao escolher a empresa certa para investir? Quais são os principais critérios que esses investidores adotam na hora de montar a carteira de investimentos?     

Ian Nunes: Existem todos os tipos de investidores, desde os que buscam mais agressividade até os mais conservadores. Mas é certo que todos buscam a consistência de argumento da empresa e uma estratégia coerente.    

   

tegUP: No caso da Tegma, que é uma empresa de capital aberto, que tipo de informações ou resultados os investidores buscam no dia a dia? Apenas o lucro importa?   

IN: O lucro é sim importante, mas outros fatores contam bastante, como potencial de crescimento em outros negócios (diversificação), alavancagem, geração de caixa, time de administração, turnos dos funcionários, medidas de sustentabilidade e governança, etc.   
     

tegUP: Quando falamos de tegUP e investimento em startups, você entende que as preocupações dos investidores são as mesmas na hora de escolher em que empresa investir?   

IN: Não, temos outro enfoque na análise de uma empresa já estabelecida e de uma startup. As realidades de risco são completamente diferentes e por isso é necessário ponderar o potencial de ganho e as possíveis inconsistências de estratégias na startup.   
     

tegUP: Há uma busca, no geral, dos investidores por empresas de logística? Por quê?   

IN: Sim, normalmente eles buscam empresas de logística como um meio para se ter exposição a um determinado segmento (como automóveis, e-commerce, etc.).   
   

tegUP: E há essa busca por empresas de tecnologia? Por quê?   

IN: Sim. Atualmente, porque se acredita que a economia do futuro será baseada na tecnologia digital. Portanto, se faz necessário ter uma presença em empresas que estejam lutando para descobrir soluções para problemas antigos que normalmente empresas grandes e estabelecidas não se preocupam tanto.   
   

tegUP: Tratando-se de startups, há alguns pontos que indicam que a empresa está apta a buscar investimentos no mercado?   

IN: O estágio da empresa para conseguir investimentos depende mais do tipo de investidor. Existem desde investidores propensos a investir em ideias até investidores que preferem uma empresa já em operação e mais estruturada.   
   

tegUP: Há diferença nessa busca de investimentos no Brasil e no exterior? As startups brasileiras também estão buscando lá fora? Se sim, por quê?    

IN: Acredito que, como as economias estão tão integradas, a busca por investimentos no mundo inteiro é baseada em soluções que ofereçam melhorias aos problemas do dia a dia e que existam em qualquer lugar. As startups brasileiras já estão captando no exterior, como a CargoX, a 99, entre outras.   
     

tegUP: Há maneiras de as empresas, seja a Tegma, a tegUp ou as startups aceleradas, ganharem mais atenção dos investidores de maneira geral?    

IN: As maneiras mais comuns são primeiro: ter uma estratégia definida, consistente e fácil de entender. E segundo: ter uma comunicação clara, que vá direto ao ponto, que seja abrangente e tenha transparência.   
      

tegUP: As startups que recebem grandes investimentos entram em uma nova fase de negócios ou no geral mantêm as atividades? O que muda nesse momento?     

IN: Normalmente, os aportes são destinados a aumentar a robustez dos sistemas da startup e para investimento comercial para crescimento. E, após os aportes, as startups entram em uma nova fase, com melhorias de governança e controles que dão mais segurança às suas operações.    

  
tegUP: A tegUP, como uma aceleradora que busca inovação e a perpetuidade da Tegma, é também uma maneira de entregar valor para a empresa e, consequentemente, para seus investidores? Por quê?   

IN: Sim. A Tegma acredita que, apesar de ter operações muito bem posicionadas em seus respectivos setores, precisa estar atenta às tendências de digitalização da economia e estar preparada para as demandas da indústria 4.0. Tudo isso vai demandar investimentos para que possamos criar soluções nas diversas áreas tecnológicas e continuar a ser uma pioneira na área de logística como fomos até hoje, mantendo também a atratividade da empresa junto aos seus acionistas.   

   

   

Sobre Ian Nunes, Gerente de Relações com Investidores na Tegma   

Formado em Economia pela Universidade Federal da Bahia e pela Université Paris Nanterre e tendo um BMA no Insper, Ian consolidou sua carreira na área de Investimentos, já tendo como um investidor anteriormente. Na Tegma há mais de 7 anos, interage com mais de 800 analistas por ano, além de agências e demais stakeholders do setor. Na tegUP, é membro do comitê, participando das entrevistas e análises de startups e dos critérios para seleção de empresas pela aceleradora.  

10 perguntas para Adalci Righi, Diretora de Relacionamento Institucional da Logpyx

A 4ª Revolução Industrial aconteceu na última década (e está acontecendo ainda em todo o mundo) com a ambiciosa meta de adoção de um conjunto de tecnologias emergentes de TI e automação industrial para gerar novos ambientes produtivos com intensa digitalização de informações e comunicação direta entre sistemas, máquinas, produtos e pessoas. 

 

Mais ambicioso ainda do que vislumbrar o Brasil adotando essas tecnologias na prática, foi o trabalho que começou a ser desenvolvido por uma startup do ramo de logística para aplicar os benefícios da Indústria 4.0 e da Internet das Coisas (IoT) no processo de carga e descarga de veículos: reduzir em 50% o tempo de veículos no pátio 

 

Revologuma plataforma de RTLS (Real Time Location System) da Logpyx, que possibilita a otimização de fluxos de veículos para logística de pátio, é o carro-chefe da startup e cumpriu esse ousado objetivo. A solução faz parte de uma linha de produtos com tecnologia de ponta, fazendo uso de recursos de Internet Industrial das Coisas, Otimização Matemática e estatística, pesquisa operacional, heurísticas e, claro, da Industria 4.0. 

 

Fazendo parte de um mercado de Indústria 4.0 que analistas globais indicam ter potencial de US$ 15 trilhões em 15 anos, a visão da Logpyx é bastante otimista sobre esse mercado. Estamos em um momento de mudança acelerada”, explica Adalci RighiDiretora de Relacionamento Institucional da Logpyx. “O potencial de ganho é enorme.” 

 

Leia abaixo a entrevista completa com a executiva da Logpyx. 

tegUP: Como foi criada a Logpyx? Ela surgiu a partir de uma demanda do mercado?  

Adalci RighiLogpyx surgiu de várias pesquisas na área de logística em indústrias da região de Minas Gerais e São Paulo. Na época, em 2015, os gestores desse segmento procuravam uma solução para evitar as multas da Lei do caminhoneiro que havia sido promulgada naquela época. A preocupação era de reduzir o tempo de permanência dos veículos no pátio para no máximo cinco horas, para ficarem em consonância com a Lei e não terem o custo adicional de estadia. 

 

tegUP: Porque a opção de iniciar uma startup no segmento de logística? Como você enxerga esse mercado? 

AR: Percebemos que a área de logística era uma área deficiente em tecnologia nas indústrias no Brasil. O potencial de ganho é enorme, por isso decidimos investir nesse mercado. 

 

tegUPQuais seus diferenciais das demais empresas do mercado?    

AR: Nós usamos uma tecnologia nova: IoT (internet das coisas) o que nos permitiu criar um produto diferenciado com um valor de gestão maior e com custo inferior. 

 

tegUPPor que buscaram o programa da TegUP? Quanto tempo a empresa já tinha quando entraram no programa? 

 

AR: Logpyx já existia há 2 anos quando entramos no programa de aceleração da tegUP. Buscamos a tegUP porque percebemos que se tratava de uma empresa forte no mercado em logística e capaz de nos alavancar comercialmente. Também percebemos a Tegma como uma investidora estratégica para a Logpyx 

 

tegUPQual foi a estratégia de vocês para serem vencedores desse programa? O que acha que levou a serem escolhidos? 

AR: A mesma estratégia de mercado: produto diferenciado em um mercado carente de inovação. Acreditamos que foi exatamente o produto que nos permitiu sermos escolhidos. 

 

tegUP: Como foi cada etapa desse processo? O que cada etapa teve de mais interessante?  

AR: A melhor etapa foi a avaliação para investimento. Foi um período no qual ficamos muito próximos do time da Tegma e criamos laços de amizade que vão além do negócio. Hoje, consideramos a Tegma uma parceira estratégica. 

 

tegUPOlhando a empresa quando entrou no programa de aceleração e hoje, já é possível ver uma diferença? Há mais iniciativas que estão por vir após essa fase de aceleração? 

AR: Sim, a Tegma alavancou negócios para a gente. Agradeço muito ao time de inovação e ao comercial da Tegma. Em breve teremos grandes notícias sobre essa parceria. E, sim, a nossa parceria continua. A Tegma está em contato com clientes estratégicos para a Logpyx e está nos apoiando nesses processos comerciais.   

 

tegUPLogpyx utiliza Internet Industrial das Coisas, Otimização Matemática e estatística, pesquisa operacional, heurísticas e Industria 4.0. Como começaram a aplicar esses conceitos em seus produtos? Foi um caminho fácil? 

AR: Não há nada fácil quando se trabalha com inovação. Foi muito sangue e suor para chegarmos a um produto robusto e escalável. Hoje, temos um produto capaz de atender a empresas com rigorosos processos de segurança e grande exigência de qualidade de informação.  

Somos capazes de informar com precisão qual doca um veículo ocupou e por quanto tempo, por exemplo. Tudo isso de forma automática, sem que haja necessidade de digitação de placas ou ação humana. 

 

tegUP: Como você enxerga o universo de startups com as quais convive? É realmente um mercado disruptivo no Brasil? 

AR: Sim. As startups vieram para mudar o modus operandi do mercado, seja ele na indústria, no comércio ou nas relações financeiras. Acredito que o mundo está vivendo um momento de reacomodação tecnológica.  

Estamos em um momento de mudança acelerada. Nossos netos terão um mundo diferente do nosso para viver e experienciar. 

 

tegUPTem alguma dica ou mensagem para outras startups que querem traçar esse mesmo caminho?  

AR: Não tenham medo de inovar e de testar coisas novas. Tenham medo de ficarem estagnadas, pois essa é a receita do fracasso.  

10 perguntas para Mário Rodrigues, fundador da Frete Rápido

Enquanto o mercado de logística estava acostumado a perder horas (e muita paciência) procurando transportadoras, negociando tabelas, assinando contratos e fazendo integrações, um estudante no Espírito Santo viu que era possível fazer diferente. 

 

A Frete Rápido foi criada em 2010, por Mário S. Venturini Rodrigues, junto a seus irmãos (hoje ainda sócios da empresa) para mudar esse cenário que era considerado na época – e ainda recentemente – sem solução. Para isso, estudou, testou e investiu seu tempo e dedicação em tecnologia e na estruturação de um negócio de sucesso, escolhido em 2017 para o Programa de Aceleração da tegUP.   

 

A startup se diferencia hoje no mercado de logística encontrando as transportadoras que podem fazer as entrega, apresentando as opções e permitindo que o cliente escolha qual deseja contratar eacompanhe em tempo real tudo sobre suas cargas, seus gastos, rastreios e performance em tempo real. 

 

A empresa, em poucos anos, já acumula entregas realizadas em mais de 44 mil diferentes faixas de CEP e mais de R$ 2 bilhões de Nfes (Nota Fiscal eletrônica) emitidas. Em 2016, foi a única startup brasileira de logística a compor o Pacto Global da ONU, que atua em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), gerido por  organizações de referência em sustentabilidade e empresas líderes em setores estratégicos para a economia brasileira. 

 

Abaixo, Rodrigues responde 10 perguntas para contar em detalhes como foi esse processo e quais os passos mais importantes que hoje inspiram outras startups a alcançarem o patamar alcançado pela Frete Rápido. 

 

 
tegUPComo foi criada a Frete Rápido?  

Mário RodriguesA ideia da Frete Rápido surgiu em 2007, na época eu trabalha como Representante Comercial no Espírito Santo, fornecendo aviamentos para as indústrias de confecção (o Espírito Santo é um polo nesse setor). Via meus clientes (fabricantes de roupas) com dificuldade na hora de enviar suas produções para todas as partes do País. Poucas vezes eles consultavam mais de uma transportadora e, quando faziam, era por e-mail, telefone ou calculando tabelas de fretes impressas. Esse tempo de retorno nunca era ágil, às vezes a cotação era solicitada em um dia, mas retornava apenas no dia seguinte. 

 

Tive a ideia de construir uma ferramenta que aproximasse os Embarcadores (empresas que demandam pelos serviços de transportadoras) e as Transportadoras. 

 

Comecei a estudar o mercado de logística e daí surgiu a ideia da Frete Rápido. Fiz toda minha faculdade de Administração focado em empreender e, no ano de 2010, já com meus irmãos (que são sócios até hoje), tentamos fazer a empresa.  

 

Como foram os primeiros anos da Frete Rápido? 

O primeiro ano prefiro classificar como “Ano de aprendizado”, pois não conseguimos fazer a empresa da forma como gostaríamos. Faltava muita tecnologia nas transportadoras, o máximo que conseguiríamos fazer seria um formulário para cotação de frete, que precisaria ser lido, calculado manualmente e respondido. 

 

Não desistimos da ideia e seguimos acompanhando o mercado. No final do ano de 2014, vencemos o Tecnova da Fapes e Finep, com o projeto Frete Rápido. Contratamos pessoas, buscamos nos aproximar mais das transportadoras para entender o cenário delas (limitações, oportunidades e, principalmente, a visão delas as barreiras). No ano seguinte (2015) recebemos investimento anjo. 

 

Quais os diferenciais da Frete Rápido em relação às demais empresas do mercado? 

Em 2016 nos tornamos a única startup brasileira de logística a compor o Pacto Global da ONU (http://pactoglobal.org.br/). Ainda no ano de 2016, começamos a ser procurados por transportadoras – houve uma inversão nos papéis.  

 

Começamos 2017 com a empresa mais sólida, com o produto pronto e rodando grandes operações do e-commerce brasileiro. prova são os números: foram entregas realizadas em mais de 44 mil diferentes faixas de CEP e mais de R$ 2 bilhões de Nfes (Nota Fiscal eletrônica) emitidas. 

 

Por que buscaram o programa da tegUPQuanto tempo a empresa já tinha quando entraram no programa? 

Vimos na TegUp uma grande sinergia com a Frete Rápido, exatamente por ser a primeira aceleradora específica de logística. Tínhamos 2 anos e meio de empresa quando entramos no programa. 

 

Qual foi a estratégia de vocês para serem vencedores desse programa?  

Sempre buscamos aprender, somar e multiplicar conhecimento e valores. Estivemos abertos o tempo todo para a tegUP e sua equipe. Também buscamos extrair o máximo deles, em conhecimento, networking e negócios. Acredito que nossa estratégia foi mostrar a eles como a Frete Rápido é, onde queremos chegar e como vamos chegar. E, então, eles também viram uma sinergia muito grande. 

 

Como foi cada etapa desse processo de aceleração da tegUPE o que cada etapa teve de mais interessante? 

É um processo longo e minucioso. Todos os envolvidos precisam estar convictos daquilo que buscam e onde querem chegar.  

Foram muitas empresas inscritas e a cada etapa o grau de exigência e maturidade requerido por eles aumentava bastante. E isso acabou sendo bom, pois de certa forma exigiu que as empresas fizessem constantes revisões sobre seus modelos de negócios e produtos. 

 

Olhando a empresa quando entrou no programa de aceleração e hoje, é possível ver uma diferença? 

Sim, é possível. Aproveitamos a aceleração para amadurecer desde pessoas a processos internos, além do relacionamento com nossos clientes.  

Posso afirmar que a Frete Rápido está mais madura, as pessoas mais confiantes e prontas para levarem a empresa a um outro patamar. 

 

Há mais iniciativas que estão por vir após essa fase de aceleração? Qual o crescimento esperado da empresa?  

Estamos em fase de Due Diligence (processo de investigação e auditoria nas informações de empresas) com a Tegma para investimento e estudando alguns negócios para explorarmos juntos. Nossa meta é audaciosa: crescer 200% nos próximos 12 meses. Mas sabemos que é possível e estamos nos preparando para isso. 

 

Qual é a visão da Frete Rápido sobre empreender nesse segmento?  

O setor de logística é um dos mais fechados no Brasil. Mesmo que haja muito espaço para novos negócios, as barreiras criadas e impostas pelos grandes players muitas vezes são quase intransponíveis. 

 

Que dica você daria para outras startups que querem traçar esse mesmo caminho? 

A principal dica que dou aos novos empreendedores é de que se certifiquem de que sua empresa gerará valor não apenas para você e sim para todos envolvidos (parceiros, clientes, fornecedores, entre outros). Assim será mais fácil ter aliados e conseguir penetrar nesse segmento. 

 

 

Sobre o Autor
tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento. Saiba mais: www.tegup.com 

13 perguntas para Patrick Rocha, CEO da dLieve

O nome dLieve advém de duas palavras: Believe e Delivery.  

 

O lema BELIEVE IN YOUR DELIVERIES (acredite em suas entregas) é o que move essa startup a entregar seus serviços com a visão de que ainda há muito crescimento pela frente. 

 

A empresa, que participou ano passado da aceleração promovida pelo programa da tegUP, cresceu mais de 8 vezes, de 2016 para 2017. Sua solução de gestão de entregas em tempo real permite ao entregador e cliente acompanharem 100% dos status das entregas, coletas ou visitas, tudo via mobileOs motoristas com o app instalado recebem a lista de entrega roteirizada e, a partir do início da viagem, é enviada aos clientes a previsão do horário de chegada, calculando trânsito em tempo real e o tempo previsto de demora em cada local.  

 

A experiência do setor de logística e em empreendedorismo para criar o app veio de seus fundadoresSergio Coutinho, Fundador e CFO da dLieve, é administrador pelo INSPER e vencedor do ACELERA FIESP 2014; Gregory Victorelli, Sócio e CTO, é multiempreendedor chefe de desenvolvimento; e Patrick Rocha, Fundador e CEO, é engenheiro mecânico com MBA pela FGV e finanças pelo INSPER, com quase 15 anos de experiência em operações logísticas 

 

Rocha é quem conta abaixo em mais detalhes como a startup tem traçado esse caminho de sucesso:   

 

tegUPO problema que a dLieve se propõe a resolver – entregas com o acompanhamento em tempo real – é um problema de praticamente todo cidadão. Vocês já passaram por isso? Como surgiu a ideia de criar esse serviço? 
Patrick Rocha: Sim, o fundador da dLieve, ele mesmo como usuário e comprador do e-commerce, sempre sofreu ao comprar algo e não saber que horas sua compra iria chegar. E muitas vezes chegava e ele não estava em casa para receber, o que fazia com que a transportadora tivesse que retornar outras vezes ao endereço. Mas também, ele mesmo como gestor de uma transportadora, sempre teve a necessidade de saber o status das entregas de seus motoristas. Porém, sem uma ferramenta como a dLieve isso era impossível. 

 

tegUP: Na prática, em que esse aplicativo se difere dos demais sistemas de monitoramento de entrega disponíveis no mercado?  

PR: O mais comum no mercado são sistemas de monitoramento via satélite, o que exige a instalação de um equipamento no veículo. Com o dLieve é possível realizar esse acompanhamento somente pela posição GPS do smartphone do motorista. 

 

tegUPConte sobre esse processo de criação da ideia do sistema. Qual o background dos fundadores e que habilidades/profissionais foram necessárias para criá-lo? 

PR: Os fundadores sempre trabalharam com supply chain (cadeia de suprimentos) e operações logísticas, isso fez deles pessoas críticas dos modelos convencionais de informação a clientes e monitoramento. Foi a partir daí que decidiram criar uma startup que pudesse solucionar essa falta de informação em tempo real, não só para a transportadora, mas que também pudesse ser dividida com o embarcador e com o cliente final. 

 

tegUPA integração e o uso desse sistema por todas as partes envolvidas na entrega é considerada uma complexidade para vocês? Todas as partes realmente aderem a esse uso? Como é feito esse processo de convencimento e apresentação do sistema para cada parte envolvida? 

PR: Não existe mais complexidade, o mercado está andando nesta direção e não tem volta. As transportadoras estão vendo que uma plataforma como a dLieve passou a ser necessária e é uma exigência de muitos clientes. 

 

tegUP:Qual foi a evolução desse sistema desde seu nascimento até hoje? Houve muita mudança?  

PR: Sim, a evolução não para. Nosso road map (roteiro) de produto é extenso, mas sempre focado em mobile. Queremos ser a plataforma tecnológica com mais ferramentas disponíveis para os clientes e usuários. Se pararmos de criar, estaremos mortos. 

 

tegUP: Hoje, praticamente todas as áreas de serviços podem utilizar o dLieve. Em quais segmentos vocês estão mais focados ou veem maior potencial? 

PR: Não importa se sua empresa vai entregar uma encomenda ou se o técnico da TV a cabo vai até sua casa, tudo é prestação de serviços e exige o deslocamento de alguém até algum ponto. Sendo assim, a dLieve se propõe a ajudar clientes e usuários. Nosso foco é maior nas operações logísticas, mas estão surgindo clientes de ramos diferentes, como construção civil e instalação de água, esgoto e energia elétrica. 

 

tegUP: Por que buscaram o empreendedorismo com o desenvolvimento de tecnologia? Como enxergam esse mercado?  

PR: O mercado de transporte virou commodity. Sem tecnologia, as transportadoras e operadores logísticos não conseguem ter diferenciais competitivos para se diferenciarem dos concorrentes. É aí que entra a nossa vontade de empreender e criar algo que seja útil, necessário e finalmente primordial para uma operação logística. 

 

tegUPEspecificamente, por que identificaram potencial de negócios na área de logística? Essa é uma área mais simples ou mais complexa que outras?  

PR: É a área que temos background, gostamos de “surfar” onde temos domínio, portanto trabalhar com o que você conhece aumenta o índice de acertos. 

 

tegUPVocês atendem com esse sistema um público final (quem recebe a encomenda/visita do prestador de serviço) bastante amplo. Há uma segmentação do público que deve utilizar mais esse sistema? E com mais gente utilizando apps hoje em dia, esse público está crescendo? 

PR: Temos públicos diferentes, pois nem sempre o usuário final é alguém que comprou algo. Temos transportadoras que usam somente com a finalidade da gestão interna, como roteirização, gestão de funcionários e status das entregas, por exemplo. Mas nos casos mais complexos, o usuário final é quem realiza a compra. É importante ressaltar que nosso negócio é B2B2B ou B2B2C. 

 

tegUP:Por que vocês buscaram o programa da tegUP? Quais eram as expectativas?  

PR: Sendo a Tegma uma das maiores empresas de logística do Brasil, sabíamos que esse know-how poderia nos ajudar bastante não só tecnicamente, mas comercialmente também. 

 

tegUP: Como foi esse processo de participação na tegUP? 

PR: Muito interessante, com boas discussões, bons cases muita troca de informações. 

 

tegUPQuais são agora os planos da dLieve?  

PR: O plano da dLieve é continuar crescendo, como ocorreu de 2016 para 2017 (crescemos 8 vezes). As startups precisam ser rápidas na escalada e é isso que procuramos executar, sem deixar de inovar. 

 

tegUP: Como vocês enxergam esse mercado atual de startups de logística? Há espaço para crescimento e inovação? É um caminho muito complexo a ser traçado? 

PR: Recentemente, vimos um estudo com mais de 700 startups. Muita coisa boa está por vir, mas o caminho é longo e árduo. Os empreendedores brasileiros precisam de muita resiliência para alcançarem seus objetivos, pois não é simples abrir um negócio no Brasil. 

tegUP: De tudo que aprenderam nesse período, quais são as principais lições que deixam para quem está desenvolvendo ou planejando desenvolver uma startup?  

PR: Ser rápido nas decisões, encontrar um bom investidor logo no início, focar no seu produto e escalar. Não existe uma fórmula do sucesso, mas existem bons mentores e livros que podem ajudar. 

Infoentretenimento cresce em veículos

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Os carros conectados, cada vez mais tecnológicos e com internet integrada em seus sistemas, estão abrindo as portas para uma indústria ainda pouco explorada: a de sistemas de entretenimento dentro dos veículos. O crescimento deste universo de entretenimento promete ser enorme nos próximos anos. 

 

Ao lado dos sistemas de segurança e da direção assistida, que também se beneficiam do ecossistema dos carros conectados à internet, o Infotainment une informação e entretenimento para levar mais conforto, facilidade e diversão para motoristas e passageiros. E, claro, além dos benefícios ao usuário, esses sistemas passaram a ser diferenciais de grandes marcas no acirrado mercado de veículos de luxo. 

 

Na própria transmissão de músicas e vídeos, os sistemas estão evoluindo. Em vez de demandarem ao motorista mudar seu ponto de atenção da rodovia para o aparelho, boa parte deles já permite trocar músicas e acionar vídeos no próprio volante ou com comandos de voz, lembrando que a segurança precisa ser o maior ponto de atenção de qualquer evolução tecnológica.  

 

Algumas linhas populares também já estão recendo diferenciais de Infoentretenimento. A Ford tem um sistema que se conecta com smartphones Android ou iOS e permite que os motoristas e passageiros acessem aplicativos por meio de comando de voz. Entre os aplicativos estão o Spotify, para ouvir música, e softwares para localização de estacionamentos próximos ou para ligações direto pelo aparelho do carro. 

 

Chamada Sync, essa tecnologia da Ford, criada em open source (código aberto), já está sendo também utilizada no Brasil por outras montadoras, como a Toyota. Ele permite que se faça e receba ligações e, através do AppLink,  projeta automaticamente o seu aplicativo de navegação na tela do veículo, para que quem estiver dirigindo não precise acompanhar o caminho pelo celular. Se não bastasse, a tecnologia também consegue ler suas mensagens de texto do celular pelo sistema de áudio do seu carro. 

 

No exterior, fabricantes, montadoras e empresas de tecnologia criam suas versões e softwares. A LIVE, por exemplo, é uma plataforma para carros conectados que integra sistemas de entretenimento em veículos da próxima geração, fazendo a conexão tecnológica com aquilo que o usuário demanda e o que a tecnologia de um carro permite integrar em seus sistemas sem sobrecarregá-lo.   

 

AVE AutoMedia, umas das mais conhecidas empresas de tecnologia para mobilidade, tem trabalhado em uma série de aplicações para carros conectados e devices que não são integrados aos automóveis, mas que são criados para serem usados dentro deles.  

 

A SHARE, por exemplo, é uma solução da AVE desenhada para idosos, médicos e serviços especializados, com funções específicas de conexão que esses grupos demandam. E há muitas outras mais. 

 

Com a simples conexão que a tecnologia AVE proporciona ao aparelho de som e vídeo, a conexão com o ambiente externo também surge. Ela já permite que marcas transmitam conteúdo multimídia para dentro dos veículos, aproveitando situações da direção para oferecer facilidades para o motorista, atender a grupospersonas específicas e, claro, vender mais.  

 

Em um futuro não muito distante, o entretenimento ganha ainda novas dimensões. Os carros autoguiados, que estão o tempo todo “dirigindo” entre um ponto e outro, poderão ganhar tecnologias dedicadas ao entretenimento – que permitam assistir Netflix ou fazer compras pela internet. 

 

Mais um passo além: com realidade aumentada aliada a veículos autônomos, o interior do carro pode se transformar no que você quiser. Especialistas desse setor já sugeriram algumas ideias: o sistema de realidade aumentada do carro dando oi automaticamente quando cruzar com algum amigo seu no trânsito ou transformando o teto do carro em um incrível céu estrelado para projetar as constelações com realidade aumentada. Assim, enquanto pega uma estrada, você pode observar o céu com as crianças. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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O potencial das soluções MaaS (Mobility as a Service)

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Os softwares que comprávamos se tornaram assinaturas digitais. O carro próprio aos poucos vai sendo substituído pelo compartilhado, bike e até patinete. O DVD quase não é mais comprado, quando se tem Netflix. Até lojas de roupa estão disputando com outras que alugam as vestes por um período determinado e que mantêm a fidelidade do cliente com assinatura mensal. O mesmo processo de transformar bens em serviços acontece nos mais variados setores.   

 

O modelo Mobility as a Service (MaaS), em português Mobilidade como Serviço, é um formato de negócios caracterizado pela oferta de serviços de transporte personalizado, com gestão de viagem dinâmica, flexibilidade de pagamento, facilidade de transação e planejamento de viagem. Além disso, tem como objetivo otimizar a experiência do usuário ao acompanhar a demanda em tempo real e combiná-la de forma dinâmica com a oferta de transportes. 

 

O mercado de MaaS tem crescido tanto que nos Estados Unidos já existe a MaaS Alliance, uma iniciativa público-privada criada para fazer uma abordagem coletiva e crescente da MaaS. Com 60 membros globais, ela entende e reforça que o crescimento desse setor está centrado na integração entre empresas e entre os interesses público e privado. 

 

Entre as empresas de MaaS, há as do setor de transporte, de logística e de tecnologia. Até mesmo as prefeituras estão lançando serviços dentro desse conceito. A Prefeitura de Madri lançou recentemente um app de MaaS que integra todos os modos de transporte multiusuário. No caso de Madri: BiciMAD, Car2Go, EmoveCooltra e Obike. Pelo app, o usuário, além de ser incentivado a não utilizar carro próprio pela economia e facilidade dos demais meios, ainda pode escolher a rota filtrando por opções como a viagem mais rápida, a mais econômica, a menos contaminante e até a mais saudável.  

 

Um outro app, Whim, vai além e propõe, com um pagamento mensal, o uso de qualquer meio de transporte, integrando transporte público, bike e carro compartilhado. Ele já está sendo usado nas cidades de Helsinki, Birmingham e Antwerp, no Reino Unido, e previsão é de chegar a 20 cidades. 

 

Whim tem ainda outro diferencial, que é a opção do modo de uso do serviço. São três opções: uma gratuita para quem quer testar o app ou não faz muitas viagens por mês, pagando no app exatamente pelo transporte que usar. Uma segunda para quem usa transportes com frequência e pega de vez em quando um carro compartilhado ou táxi (49 euros por mês) e uma terceira opção que cobre todos os tipos de transporte urbano e é vendida como uma alternativa à compra de um carro, com acesso ilimitado a transporte público, táxi e carro (499 euros por mês). 

  

MaaS faz parte de um conceito maior, de mobilidade inteligente, que prevê smart cities onde o transporte seja autônomo, muito mais veloz e mais integrado que os atuais sistemas do Brasil e do mundo. No centro do funcionamento das smart cities está a digitalização e o uso de dados de forma integrada por sistemas diversos, entre eles o do transporte.   

 

O brasileiro Gregório Lima, em sua tese Mobility as a Service na promoção da mobilidade sustentávelidentifica algumas características principais que estarão presentes no futuro da mobilidade urbana. São elas: a adoção generalizada de veículos autônomos e elétricos, a utilização cada vez maior de serviços low-cost e compartilhados e um modelo de provisão de transportes através de plataformas online. 

 

Ele defende também que o MaaS apresenta, além de ganhos de eficiência para o usuário, a possibilidade de uma nova política de transportes com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. A adoção de veículos elétricos e autônomos, por si só, contribuirá apenas para aumentar a eficiência do atual modelo de negócios do transporte urbano, mas a utilização de plataformas online para provisão de serviços de transporte (incluindo serviços low-cost e compartilhado) pode provocar mudanças estruturais no setor e transformar completamente o modo como as pessoas se movem nas cidades. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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Data mining: a busca por respostas precisas

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Qualquer área de serviço ou da indústria não sobrevive hoje sem a análise de dados. Dos mais simples sistemas compilados em planilhas de Excel às mais complexas e integradaferramentas que automatizam esse processo, a grande questão é: o que fazer com esses dados? 

 

O Data Mining, ou mineração de dados, é o exercício de examinar dados específicos que já foram coletados por um propósito pontual. Assim como um minerador, a busca em meio a padrões e banco de dados visa identificar uma resposta específica a uma questão ou extrair um recorte inteligente dos dados armazenados. 

 

Essa análise geralmente é feita utilizando diversos tipos de algoritmos e de forma automática, mas inclui também metodologia científica e um olhar voltado aos negócios. Tanto que, no geral, quem exercita essa tarefa é um time composto por profissionais da área de negócios e cientistas de dados. 

   

A utilização da mineração de dados é bastante variada, já que pode auxiliar empresas de qualquer tamanho a descobrirem padrões de comportamento de dados e pontos cegos, podendo até trabalhar esse recorte de dados para gerar novos inputs para o negócio.   

 

Por exemplo, uma empresa de transportes pode usar dados transacionais ou extraídos de sistemas (dados de CRM, ERP, Google Analytics e outras plataformas) para avaliar pontos do negócio que precisam de melhoria. Essa empresa pode se debruçar sobre o data mining em um trecho específico da organização, bem como só na logística, nas vendas, no marketing digital, em suprimentos, etc. 

 

Uma empresa chamada Aquarela usou o data mining para, diante de tantas startups no mercado brasileiro, encontrar as melhores empresas para certos fundos de investimento. A empresa analisou as características de startups unicórnio (com valor de mercado superior a U$ 1 bilhão) e cruzou seus dados com os dos investidores, identificando padrões e comparando ambas, que apoiaram um investimento mais certeiro. 

 

Outro exemplo no marketing digital são as análises de dados de clientes, seja para vender mais ou para atender melhor. Uma delas, contada no livro “Data Mining: conceitos, técnicas, algoritmos, orientações e aplicações foi um processo de agrupamento (tarefa de Clusterização) realizada com dados de clientes para uma empresa de telefonia para identificar similaridades. Após o agrupamento, classes de clientes foram definidas e, com essa definição, um modelo de classificação foi construído para que ações de marketing fossem aplicadas em toda a base de clientes (com base nos padrões desses nichos analisados).  

 

De maneira mais ampla, o data mining está em pauta junto à Indústria 4.0 (que engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados e conceitos de gestão centrados na tecnologia), pois ela precisa estar centrada no uso de dados e na análise precisa deles – até mesmo quando muito extensos e de forma sistemática, já em um formato não mais de data mining, mas de big data 

 

Junto à Indústria 4.0, o data mining auxilia a entender melhor os processos atuais e gerar novos processos ainda mais produtivos, seja para homens ou robôs. Ajuda também a levantar o risco de falhas antes que elas aconteçam ou de analisar a fundo uma questão problemática para contorná-la por meio da análise de alguns padrões de dados, como dados recorrentes de fraude em cartão de crédito ou roubos de carga. 

 

Muito pode ser descoberto e muito pode ser evitado com esse uso mais aprofundado e consciente de dados. Estima-se que, até 2020, a humanidade terá cerca de 44 Zettabytes de informações digitais disponíveis. Os cientistas de dados não só serão úteis (como são hoje), mas também serão essenciais para entendermos o mundo ao nosso redor. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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Por que a realidade aumentada começa nos automóveis?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Nem headsets, nem óculos virtuais, nem iPads. Especialistas em tecnologia apontam que a Realidade Virtual (AR) vai se tornar popular mesmo primeiro nos automóveis. No Salão do Automóvel, recémrealizado em São Paulo, o termo foi palavra de ordem para todas as montadoras – seja nos automóveisseja nas vendas. 

 

A Toyota, por exemplo, levou um aprofundamento técnico para a tecnologia de vanguarda dos modelos Concept-i, com aplicação da realidade aumentada em parceria com aDisney, usando como mote o Pantera Negra. A Nissan realizou atividades interativas, reunindo realidade virtual e seus modelos, e a Volkswagen também atraiu os visitantes com um desafio ao estilo “Escape 60” usando tecnologia de inteligência artificial.  

 

Essas ações já estavam aparecendo em salões internacionais ao longo do ano. As montadoras estão oferecendo experiências de realidade aumentada, monitores de vídeo que envolvem o espectador e simulações de realidade virtual para atrair compradores nas feiras e, em breve, nas lojas – substituindo em grande parte o test-drive dos veículos. 

 

No Salão do Automóvel de Nova Yorkrealizado no começo do ano, o burburinho na imprensa aconteceu por conta do simulador da Dodge, que aliou a realidade virtual o faz de conta à engenharia automotiva. Era possível participar de forma virtual de uma disputa entre dois Dodge Demons genuínos, com uma infinidade de dispositivos eletrônicos e hidráulicos de verdade, que simulavam fielmente a direção do veículo. Controlados eletronicamente, os mecanismos hidráulicos simulavam a largada, trepidação da pista e variações do percurso, com as vibrações do motor e da pista transmitidas ao assento do motorista e sincronizadas com o vídeo – com realidade virtual na tela, simulando a disputa. 

  

As razões da rápida adoção de tecnologia em veículos são várias, mas talvez a principal delas seja o ecossistema em que os automóveis estão inseridos. Com uma combinação tão grande de sistemas, montadoras, fornecedores de apps, softwares e devices para carros – que vão de entretenimento à dirigibilidade e segurança – está montado o cenário perfeito para a inovação.  

 

Une-se a isso o potencial de vendas do mercado automotivo, já que esses sistemas de realidade aumentada estão gerando ainda mais valor para carros de ponta, que usam a tecnologia para se sobressair aos concorrentes – ainda mais considerando um mercado tão competitivo como é o automotivo.  

 

Há ainda outros fatores, como o fato de essa tecnologia estar acoplada em um objeto de uso diário, não precisando que o usuário o carregue pra cima ou pra baixo, nem que o recarregue na tomada. A AR acoplada nos automóveis não muda a maneira do piloto dirigir e pode usar as próprias partes atuais do carro – como vidro, para-brisa e retrovisor – como displays. 

  

Além disso, a aplicação da AR é mais fácil em carros e outros veículos automotivos, como trens e caminhões, porque não há problema com o peso desses devices, como há ao se tentar acoplar realidade aumentada em óculos ou outros objetos portáteis. 

 

Se a instalação de novos devices de AR nos automóveis parecer complicada, é possível ainda encurtar o caminho, como muitas montadoras já estão fazendo fora do Brasil. A BMW e a Hyundai já disponibilizam para seus clientes o uso de apps como manuais do carro, usando a realidade aumentada. O cliente instala em seu próprio smartphone o aplicativo e usa a visão computacional para identificar os componentes do carro, seja da cabine ou da engenharia, mostrando todas as camadas onde os olhos não veem e dando informações precisas sobre o veículo. 

 

E a aplicação de toda essa tecnologia já está próxima do dia a dia. Também no Salão do Automóvel deste ano em São Paulo, a Volkswagen apresentou o I.D. Crozz e sua evolução futura, I.D. Pilot. A partir de 2025, o carro apresentado terá condução totalmente automatizada, com volante multifuncional que se retrai para dentro do painel e se funde com os instrumentos digitalizados (Active Info Display) – ou seja, um carro sem volante – com sistema de infotainment projetado como uma superfície de toque. Tanto no modo automático como no manual, o motorista recebe as informações de velocidade e navegação através de um Head-up Display de realidade aumentada, com apresentação em 3D. Em menos de uma década, teremos um carro sem direção, com as informações disponíveis nos vidros. Quem diria? 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

Inteligência emocional na tecnologia: isso é possível?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

No mercado corporativo, há alguns anos se estuda o comportamento humano como fator intrínseco do sucesso. A inteligência emocional passou a ser vista de igual para igual com as demais inteligências e não se tolera mais líderes que não tenham empatia ou que não saibam lidar com pessoas. 

 

Se antes essa exigência só crescia, agora ela também começa a aparecer na construção de robôs e sistemas que utilizam a inteligência artificial. 

 

No artigo publicado pela Delloite, “Exponential technology watch listInnovation opportunities on the horizon”, o nível mais alto das AGI (Inteligência Artificial Geral) está justamente no reconhecimento das emoções humanas. Ao se juntar aprendizagem de máquina (machine learning) a softwares de reconhecimento de emoções, os robôs já se comparam aos humanos em suas habilidades de decifrar o estado emocional de uma pessoa baseado em seu tom de voz e expressões faciais.   

   

O estudo publicado pela Delloite também defende que essa evolução para o reconhecimento emocional, embora bastante complexa, pode ser em breve utilizada combinada com as demais inteligências artificiais já estudadas. O grande ganho acontece combinando e compondo essas inteligências artificiais com robôs que cruzem as informações que a pessoa fala com a emoção em que ela as apresenta para entender seu verdadeiro sentido, por exemplo. Assim se formam soluções completas que passam por todos os fatores da inteligência humana, incluindo a abstração.  

 

Essa mudança no comportamento dos robôs também altera a relação homem-máquina, com os robôs (que podem ser simplesmente pequenos dispositivos da casa ou, num futuro, réplicas de pessoas) auxiliando efetivamente o dia a dia dos humanos e conquistando um espaço que hoje é de interação com nossos amigos, família e colegas de trabalho.   

 

Com a interpretação semântica das emoções, chamada Affective Computingos robôs podem, por exemplo, entender exatamente como você se sente dependendo das suas expressões faciais e do seu tom de voz. Assim, enquanto para uma psicóloga pode ser difícil entender o nível de tristeza de um paciente, um robô psicólogo pode entender exatamente qual é seu padrão de emoções e descrever como você se sente.    

 

A apresentação “Designing Emotionally Intelligent Machines”, de Sophie Kleber, diretora de inovações da Huge, reportada por Vinícius Sanfilippo em um artigo, mostra um estudo com pessoas que já têm um contato diferenciado com tecnologias que propiciam uma maior interação, como Amazon Echo e Google Home e o impacto efetivo na vida dessas pessoas. Entre as mudanças principais estão os hábitos de consumopor exemplo, fazendo compras pela internet com bots que tratam o cliente de forma especial e afetivae na socialização, já que o relacionamento com a máquina pode substituir muitos dos relacionamentos reais – seja para lazer, seja para trabalhar e consumir. 

 

Os estudos estão avançando com sistemas que identificam microexpressões através de reconhecimento facial, de voz e de biometria. Imagine um entregador robô que consegue dialogar com você e entender como se sente. E um robô colega de trabalho que resolve todas as tarefas mais difíceis que tenha no dia, buscando informação na web muito mais rápido que nós humanos e ainda sendo capaz de repassar esse conhecimento do jeito que você assimila melhor e como poucos profissionais fariam. 

 

No mundo dos games, a inteligência emocional também é uma realidade. Alguns dos jogos mencionados como exemplo são Gone Home, The Last of Us e The Walking Dead, que já exigem do jogador mais inteligência emocional para lidar com os avatares que ação ou combate. Outros estão sendo desenvolvidos para oferecerem aos jogadores praticamente uma vida paralela. Assim, não importa mais o desenvolvimento do personagem do jogo, mas sim as escolhas que são dados ao jogadorpois é ele mesmo quem constrói um personagem que pensa e se emociona como você.  

 

A discussão sobre o relacionamento emocional homem-robô, além do grande potencial de crescimento, ainda tem questões éticas a serem discutidas. Se decisões de robôs geram um dano a um humano, quem responde por isso? Eles poderão usar nossas emoções para nos manipular? Vender mais? Substituir relacionamentos reais? 

 

De uma maneira ou de outra, é realmente importante corrermos atrás de aprender a conhecer nossas emoções e como agimos, buscando inteligência emocional – seja para lidar melhor com as pessoas ao nosso redor, seja para não nos tornarmos, no futuro, simplesmente uma peça manipulável dos robôs. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento. As inscrições para o segundo ciclo estão abertas. Participe! 

 

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