O potencial das soluções MaaS (Mobility as a Service)

Os softwares que comprávamos se tornaram assinaturas digitais. O carro próprio aos poucos vai sendo substituído pelo compartilhado, bike e até patinete. O DVD quase não é mais comprado, quando se tem Netflix. Até lojas de roupa estão disputando com outras que alugam as vestes por um período determinado e que mantêm a fidelidade do cliente com assinatura mensal. O mesmo processo de transformar bens em serviços acontece nos mais variados setores.   

O modelo Mobility as a Service (MaaS), em português Mobilidade como Serviço, é um formato de negócios caracterizado pela oferta de serviços de transporte personalizado, com gestão de viagem dinâmica, flexibilidade de pagamento, facilidade de transação e planejamento de viagem. Além disso, tem como objetivo otimizar a experiência do usuário ao acompanhar a demanda em tempo real e combiná-la de forma dinâmica com a oferta de transportes. 

O mercado de MaaS tem crescido tanto que nos Estados Unidos já existe a MaaS Alliance, uma iniciativa público-privada criada para fazer uma abordagem coletiva e crescente da MaaS. Com 60 membros globais, ela entende e reforça que o crescimento desse setor está centrado na integração entre empresas e entre os interesses público e privado. 

Entre as empresas de MaaS, há as do setor de transporte, de logística e de tecnologia. Até mesmo as prefeituras estão lançando serviços dentro desse conceito. A Prefeitura de Madri lançou recentemente um app de MaaS que integra todos os modos de transporte multiusuário. No caso de Madri: BiciMAD, Car2Go, Emov, eCooltra e Obike. Pelo app, o usuário, além de ser incentivado a não utilizar carro próprio pela economia e facilidade dos demais meios, ainda pode escolher a rota filtrando por opções como a viagem mais rápida, a mais econômica, a menos contaminante e até a mais saudável.  

Um outro app, Whim, vai além e propõe, com um pagamento mensal, o uso de qualquer meio de transporte, integrando transporte público, bike e carro compartilhado. Ele já está sendo usado nas cidades de Helsinki, Birmingham e Antwerp, no Reino Unido, e a previsão é de chegar a 20 cidades.  

O Whim tem ainda outro diferencial, que é a opção do modo de uso do serviço. São três opções: uma gratuita para quem quer testar o app ou não faz muitas viagens por mês, pagando no app exatamente pelo transporte que usar. Uma segunda para quem usa transportes com frequência e pega de vez em quando um carro compartilhado ou táxi (49 euros por mês) e uma terceira opção que cobre todos os tipos de transporte urbano e é vendida como uma alternativa à compra de um carro, com acesso ilimitado a transporte público, táxi e carro (499 euros por mês).  

O MaaS faz parte de um conceito maior, de mobilidade inteligente, que prevê smart cities onde o transporte seja autônomo, muito mais veloz e mais integrado que os atuais sistemas do Brasil e do mundo. No centro do funcionamento das smart cities está a digitalização e o uso de dados de forma integrada por sistemas diversos, entre eles o do transporte.    

O brasileiro Gregório Lima, em sua tese Mobility as a Service na promoção da mobilidade sustentável, identifica algumas características principais que estarão presentes no futuro da mobilidade urbana. São elas: a adoção generalizada de veículos autônomos e elétricos, a utilização cada vez maior de serviços low-cost e compartilhados e um modelo de provisão de transportes através de plataformas online.  

Ele defende também que o MaaS apresenta, além de ganhos de eficiência para o usuário, a possibilidade de uma nova política de transportes com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. A adoção de veículos elétricos e autônomos, por si só, contribuirá apenas para aumentar a eficiência do atual modelo de negócios do transporte urbano, mas a utilização de plataformas online para provisão de serviços de transporte (incluindo serviços low-cost e compartilhado) pode provocar mudanças estruturais no setor e transformar completamente o modo como as pessoas se movem nas cidades. 

 

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Sobre o Autor 

A tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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Segurança: por que veículos conectados precisam pensar nisso?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Os carros conectados são sinônimo de segurança: permitem acompanhar e analisar em tempo real o funcionamento do veículo (telemetria), os mais variados indicadores como defeitos mecânicos, manutenção e condição da estrada, oferecem dados para uma direção mais segura e até entendem comportamentos do motorista para acionar o sistema de segurança quando, por exemplo, percebem que está com sono. 

 

Mas, se por um lado ganha-se na segurança de direção, uma série de outras portas se abrem para o risco, caso não sejam bem trancadas.       

 

Cerca de 150 milhões de veículos terão algum meio de conexão de rede sem fio até 2020, projetam os institutos de pesquisa. Eles fazem parte de uma tecnologia chamada de Internet das Coisas (IoT) em que não só o carro em si, mas outros vários dispositivos e até mesmo as roupas do motorista (wearables, ou tecnologias vestíveis) podem estar conectados e se comunicando entre si. Nessas redes, há entradas e saídas de dados constantes que podem se de grande valia para mal-intencionados. 

 

Alguns exemplos. Se o carro tem um controle de gasolina ou de falha mecânica que sozinho analisa o carro e entende qual é a hora certa do motorista parar, basta hackear esses sistemas para forçar paradas em locais ermos ou próprios para assaltos. Se o sistema de portas for inteligente, com uma biometria ligada na Internet por exemplo para checar dados, o caminho está aberto para destravar as portas sem nem precisar de uma ação física. 

     

medo da falta de segurança em carros conectados não é futurologia e devaneio. Ainda em 2015, um testefeito por dois hackers nos Estados Unidos mostrou essa fragilidade. Eles hackeram um Jeep Cherokee, na época um dos carros mais conectados, usando uma técnica de exploração de dia zero (zero-day exploit), que significa usar uma falha de segurança até então desconhecida por todos ou ainda não acessada, e explorar essa falha de segurança para um ataque digital.   

 

Os hackers conseguiram controlar completamente o veículo por wireless, via Internet. O acesso aconteceu pelo sistema de entretenimento do carro e a partir daí acessou os sistemas de direção, frenagem transmissão e outros. Há quilômetros de distância, desabilitaram os freios, tocaram a buzina, tiraram o cinto de segurança do motorista. Até cortarem a transmissão, fazendo o carro parar de funcionar. 

 

Algumas das medidas necessárias para evitar ataques como esse são bem similares ao que já estamos acostumados a ver em nossos computadores e celulares. Sistemas com segurança redundante, com antivírus e com monitoramento constante para detectar invasões. A Kaspersky, por exemplo, uma das maiores fornecedoras de anti-vírus do mundo, defende uma abordagem mais holística para a criação de carros conectados, que olhe para o todo, com SCU (Servidor de Controle de Usuário) como um único gateway seguro entre ECUs (unidades de controle eletrônico) internas recursos externos com os quais eles interagemsoftware para proteção contra erros aleatórios de software, invasão cibernética e malware; e serviços de inteligência de ameaças para ajudar a detectar, analisar e corrigir todas as deficiências da cibersegurança veicular, inclusive aquelas geradas pelo próprio motorista ao conectar seus dispositivos móveis aos sistemas automotivos.   

 

Além de tudo isso, há o simples interesse no roubo de dados, do comportamento do motorista e de veículo, de utilidade para diversos segmentos lícitos também. Veículos conectados têm diferentes tipos de dados sendo trocados, e o roubo e exploração das credenciais e dados confidenciais de motoristas e passageiros podem valer ouro. 

 

Um relatório feito pela Vodafone, “Conectado, automatizado, compartilhado”, mostra como os veículos conectados precisam de segurança cibernética de todos os envolvidos nesse ecossistema: 77% das organizações automotivas afirmam que a segurança da IoT deve ser uma solução de ponta a ponta. Distribuidores, seguradoras de automóveis, autoridades locais, órgãos governamentais, administradoras de rodovias, operadoras de frota e provedores de serviço de tecnologia, todos são responsáveis e precisam desde já estar focados nessa questão.  

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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Homem x robô: ganhamos ou perdemos?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Já faz quase um ano que a AlphaGo Zero, Inteligência Artificial da DeepMind, comprada pela Google, conseguiu entender o jogo de xadrez em 24 horas e derrotar sua versão anterior - que já havia batido os principais campeões mundiais de xadrez. A melhor parte foi que, enquanto nós humanos passamos anos em sala de aula para aprender (um pouco) do mundo, os robôs não precisam nem de nós para ensiná-los. No caso do AlphaGo Zero, não houve intervenção humana durante o aprendizado de como jogar xadrez. Ele não foi ensinado com exemplos de jogadas, referências de jogos passados, nada. Ganhou de todos apenas tendo recebido as regras do jogo. 

 

Mas isso significa que os robôs sempre vão ganhar? 

 

As opiniões dos pesquisadores são variadas, mas, no geral, aponta-se que há jogos a serem ganhos dos dois lados.   

 

Richard Murnane e Frank Levy, dois pesquisadores de economia e tecnologia, o primeiro da Escola de Educação de Harvard e o segundo do Massachusetts Institute of Technology, defendem que há três pontos em que os humanos ainda são imbatíveis:  

 

1 – A resolução de problemas não estruturados: os humanos ainda são melhores e mais eficientes para resolver problemas que precisem usar dados ainda não conhecidos ou chegar a novas soluções para os problemas já existentes. O xis da questão é que esse tipo de problema exige criatividade, algo que os robôs ainda não estão estruturados para utilizar. 

 

2 – Trabalhar com novas informações: em todos os casos que um problema exigiu comunicação ou interação social para ser resolvido, o robô teve mais dificuldade para resolvê-lo. Principalmente quando se trata de informações necessárias para entender qual é o real problema ou se ele precisar “tirar” informações das pessoas pelos meios normais de comunicação.    

 

3 – Tarefas manuais que não têm rotina: embora evoluam rapidamente em diversos setores, quando se trata de rotinas manuais que não seguem um padrão (ou seja, que não têm uma base de dados ou regras que possam ser consultadas para executá-las), os robôs ainda perdem para os humanos. Alguns exemplos que os dois pesquisadores dão são: um médico diagnosticando uma doença com sintomas desconhecidos; um mecânico que precisa fazer o reparo em um automóvel de um problema que não estava previsto e, portanto, não estava em nenhum manual; ou um encanador que vai até uma casa muito antiga consertar um encanamento que não é padronizado com os demais. 

 

Há também pesquisadores que indicam uma outra habilidade humana que não foi superada: a capacidade de planejamento que nós temos. Os robôs conseguem ver as possibilidades de acordo com os dados que têm, mas não conseguem planejar em curto, médio e longo prazo com a complexidade que o cérebro humano planeja.  

 

Um robô advogado com certeza irá analisar os casos muito mais rápido que um humano, bem como vai entender o comportamento padrão de cada juiz e de cada advogado – analisando até os argumentos mais comuns de cada caso e de cada pessoa que estiver na oposição – mas não vai saber sozinho o que fazer caso surjam novos argumentos, caso as pessoas falem com ironiase o sentimento for mais importante que o discurso ou os fatos para a decisão de um determinado caso. 

 

Um professor, por exemplo, não vai ter na memória todas as informações que um robô grava. Ele não vai ter o histórico completo de materiais e provas produzidos pelo aluno, nem a base de dados para em minutos gerar e corrigir provas. Mas um professor robô (ou um software educacional) não vai conseguir entender que há um jeito certo de lidar com cada ser humano para incentivá-lo a aprender, não vai demonstrar empatia e apoio para o aprendizado de uma criança e (ao menos por enquanto) não saberá lidar com a carga emocional que envolve o processo de aprendizagem – que é único para cada pessoa. 

 

Falando em educação, Nicole Wilson, ex-vicepresidente daSingularity University, acredita que a educação em tecnologia é o caminho mais importante e de maior crescimento para o momento em que vivemos. As tecnologias exponenciais estão à nossa disposição para mudar o que precisamos saber, como enxergamos o processo de aprendizagem na escola e na sociedade e como vamos continuar ensinando e aprendendo no futuro. 

 

Voltando aos jogos: há casos de games complexos, como o StarCraftem que os robôs ainda não conseguem superar humanos. Já perdemos no xadrez, mas ainda temos esperança de continuar liderando esta Terra – ao menos por algum tempo.   

 

Sobre o Autor 

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A realidade muito mais que apenas aumentada

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Quando a caça aos Pokémons virou febre no Brasil, o poder da realidade aumentada ficou nítido. Como algo apenas ligado ao entretenimento do universo gamer e sem grande investimento em marketing se tornou uma febre em poucos dias? As pessoas estavam ávidas por usarem a tecnologia de realidade aumentada. 

 

O Pokémon GO fez (e ainda faz, fora das capitais, principalmente) as pessoas entrarem no universo dessa tecnologia e, por tabela, comprarem novos aparelhos que possibilitam rodar o jogo, o que causou mudanças em seu estilo de vida e fez com que trocassem outros programas de lazer por rodar a cidade com suas câmeras em busca do desconhecido em meio ao mundo real.  

 

Quando transportamos essa tecnologia para veículos automotivos, a abertura das pessoas também tem um potencial enorme. Só a Apple, por exemplo, já tem mais de 1000 apps com realidade aumentada. Tim Cook, CEO da Apple, já declarou que “a realidade aumentada vai mudar tudo” e que as novas experiências virtuais proporcionadas serão tanto para consumidores quanto para estudantes e profissionais.  

 

Acostumadas com a realidade virtual em seus celulares, as pessoas vão valorizar isso em outros meios. E se elas trocam de telefone por causa de um jogo, não trocarão de carro para um que ofereça algo parecido e que vai muito além do entretenimento?      

 

O prazo pra isso acontecer não é longo. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, declara que em 5 anos os carros não terão opção de interface que não seja com realidade aumentada.  

 

Astartupsuíça WayRay, por exemplo, está desenvolvendo uma solução de display holográfico para automóveis que integra os objetos ao redor do carro com as informações visuais do painel. A empresa recentemente recebeu um aporte de US$ 80 milhões e tem o apoio de grandes do mercado, como Porsche e Hyundai.  

 

Desde o fim de 2017, a Ford tem implementado a tecnologia de realidade aumentada na Europa, por meio da divisão Lincoln Motor Company. O head-up display com tecnologia de dispositivo de microespelho digital da Continental foi a tecnologia escolhida pela empresa e permitirá uma melhor integração entre o condutor e o veículo, apresentando informações relevantes diretamente no campo de visão do condutor.   

 

E a realidade aumentada no setor de transportes não está apenas mirando o consumidor final. Quando citamos grandes veículos de transporte, como trens e caminhões, a tecnologia vai auxiliar os motoristas a terem informações relevantes sobre o tráfego e o caminho à frente, com dados sobre o ambiente real e também de realidade virtual projetados no painel para garantir mais segurança ao fornecer informações visuais ao motorista, que não vai precisar desviar os olhos do trânsito à frente.  

 

Já pensando no setor de logística, também já há diversas soluções em desenvolvimento que mostram o melhor arranjo da carga dentro de um caminhão ou de um estoque, por exemplo, como se os produtos estivessem fisicamente no local. Com a realidade aumentada pode-se ver o melhor local para cada produto a localização de cada item dentro do estoque, do vagão do trem ou da carreta. Isso significa não apenas menos tempo gasto para atividades de transporte, mas também mais assertividade na entrega ao consumidor final.          

 

Para quem dirige esses veículos, o risco de acidentes e a otimização de custos ainda vem em uma etapa anterior, a de educação. A Universidade Corporativa do Transporte (UCT), segmento educacional da Fetranspor, por exemplo, tem focado esforços no papel da realidade virtual para a segurança viária, tendo como uma de suas bases o Programa de Direção por Simulador (PDS). 

   

“A realidade aumentada amplifica a performance humana”, nas palavras do CEO da Apple. Não há como ignorar o potencial de crescermos, assim como a indústria automotiva, junto à essa tecnologia.   

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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O que os investidores-anjo buscam nas empresas de tecnologia que estão surgindo?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Hoje o modelo mais comum de investimento para quem está nos primeiros passos do negócio e quer captar fundos é o investimento-anjo. Esse tipo de investimento geralmente é feito por pessoas físicas que têm seu próprio capital e buscam investir em empresas iniciantes e com alto potencial de crescimento e lucro, como as startups. 

 

Segundo estimativas da ONG Anjos do Brasilem 2016 já havia cerca de 7 mil investidores-anjo ativos no paísEsse número vem crescendo, em média, 15% desde 2011, quando cerca de 5,3 mil pessoas optaram por esse tipo de investimentoA ONG reforça também que o termo “anjo” é utilizado pelo fato de não se tratar de um investidor exclusivamente financeiro que fornece apenas o capital necessário para o negócio, mas também apoia o empreendedor aplicando seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamento para orientá-lo e aumentar suas chances de sucesso.  

 

Quando falamos de investidores individuais ou (o que é mais comum vermos no mercado) investidores reunidos em grupos de investimento, é preciso, antes de tudo, buscar um match entre o perfil da startup e o perfil do investidorHá quem busque negócios em áreas específicas, localidades menos exploradas, aplicação em certas indústrias ou até mesmo empresas atreladas a causas sociais. 

 

Quando se trata de grupos de investidoresfica mais fácil conseguir esse match, já que cada grupo de investidor costuma seguium viés diferente. A SP Ventures, por exemplo, busca empresas que atuem nos setores de Tecnologias Agropecuárias; Tecnologias em Saúde; Novos Materiais e Nanotecnologias; e Tecnologias da Informação e Comunicação com foco corporativo. A Berrini Ventures é ainda mais específica e conecta investidores que buscam apenas startups nos ramos da saúde e apresentem alto potencial para solucionar os maiores desafios do sistema de saúde atual. 

 

Deixando de lado o setor de atuação e indo para o perfil da empresa em si, a exigência aumenta. A SP Ventures, por exemplo, tem uma lista de 5 itens que demanda das empresas que analisa para investir: 

Empreendedores tecnicamente diferenciados e com boa capacidade de gestão;  

Soluções com forte base tecnológica e boas condições de escala;  

Mercado local de grandes proporções;  

Sede no estado de São Paulo;  

Faturamento inferior a R$ 18 milhões ao ano. 

 

Além das peculiaridades de cada grupo, grandes investidores, no geral, dificilmente voltam sua atenção a uma startup que não tenha um MVP (Minimum Viable Product) bem estruturado, ou seja, uma versão mais simples de um produto que pode ser lançada com uma quantidade mínima de esforço e desenvolvimento. O livro The Lean Startupde Eric Ries, define esse produto como “aquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo construir-medir-aprender, com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento”. Ou seja, é um protótipo do que a empresa pode oferecer para o mercado, mas não é apenas um teste, é uma versão real, com feedback de usuários ou potenciais clientes dizendo o quanto aquele produto ou serviço é realmente eficiente, relevante ou inovador – mesmo que não seja ainda o produto na sua completude ou no formato/tamanho final.  

 

Outra questão importante antes de bater na porta do investidor ou abrir uma rodada de investimento é saber exatamente o que está buscando. A startup precisa ter um plano estruturado de captação que responda às seguintes perguntas 

O investimento será usado para capacitar a empresa, para expansão ou para abertura da operação em um mercado específico?  

Qual porcentagem da empresa será oferecida em troca de investimento? 

O que se espera desse investidor? Simplesmente o aporte financeiro ou consultoria e acesso ao mercado? 

Que tipo de investidor está sendo buscado para a rodada de investimento? 

 

A ACE, uma das pioneiras do mercado de startups, também reforça que antes de iniciar qualquer rodada de captação é importante que a empresa tenha preparado: 

Seu melhor pitch deck (leia mais sobre como montar seu pitch baixando o eBook da tegUP) – apresentação que explica o problema que o produto se propõe a resolver, quem são os stakeholders, por que é um produto único, quais são seus diferenciais e qual sua importância para o mercado; 

Ustorytelling impecável sobre sua startup – ou seja, a história de criação e da importância da existência da empresa, de uma maneira narrativa e não apenas com uma lista de informações; 

Métricas – mostrando onde a startup se encontra e o que tem potencial para entregar; 

Quanto e para quê se pretende levantar recursos – não há como atrair dinheiro para um fim se esse fim não for claro nem mesmo para quem está no dia a dia da operação e do planejamento financeiro da empresa. 

 

E quais são os valores possíveis? A ACE publica que, normalmente, uma rodada de anjos varia entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão, dependendo do estágio da empresa e da necessidade de capital. De fundos de investimento Seed e Series A, os valores costumam partir de R$ 1 milhão.  

 

A Anjos do Brasil divulga que o investimentoanjo em uma empresa é normalmente feito por um grupo de 2 a 5 investidores, tanto para diluição de riscos quanto para o compartilhamento da dedicação, sendo definidos 1 ou 2 investidores-líderes para cada negócio para agilizar o processo de investimento. Nesse modelo, o investimento total por empresa varia entre R$ 200 mil a R$ 500 mil, podendo chegar até R$ 1 milhão. 

  

Empresários, profissionais do mercado financeiro e especialistas em startups têm declarado que o mercado continua aquecido e que há dinheiro para ser investido, esperando o melhor momento e a oportunidade. Passando as eleições, espera-se também uma aplicação maior de investimentos na economia real, por conta da estabilidade advinda do novo presidente que for eleito. O Brasil estará então em um momento que as empresas darão as caras, irão se expor e serão vistas por aqueles que estão ávidos por encontrá-las. 

 

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Propósito: como empreendedores estão colocando seus sonhos em prática e lucrando com isso

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

 

O valor investido no último ano em venture capital cresceu 207%, atingindo US$ 860 bilhões. Hoje estima-se que o Brasil tenha mais de 10 mil startups. Mas quantas delas você acha que foram abertas com um propósito claro? Quantas vão além do pensamento de lucro rápido para venda? E quantas realmente vão se tornar negócios lucrativos e sustentáveis daqui 10 anos? 

 

Ao mesmo tempo em que o mercado de startups infla, inflam também os casos de insucesso: empresas com discursos que não se aplicam à prática, com números que não se comprovam e com uma visão de ganho em curto prazo que pode até enganar à primeira vista e empurrar a empresa para dar alguns passosmas não se sustenta por muito tempo e nunca a tornará um unicórnio. 

 

Para lidar com essa volatilidade do mercado, tanto empreendedor quanto investidor estão buscando conhecer a história de fundação das empresas. Por que ela foi estruturada? Como é a cabeça do dono? O que ela realmente oferece de valor sustentável para o mercado atual? 

 

Responder a essas perguntas é uma boa forma de definir um propósito para uma empresa. É descobrir o que você iráagregarcom seu negócioe não o dinheiro, a fama ou o status que ele irá gerar. Muitos dizem que é entender o que você vai entregar ao mercado e não o que você vai esperar dele. 

 

A definição de um propósito não é simples, mas para alguns empreendedores ela surge de maneira quase natural, do espírito de empreender para ver coisas melhores acontecendo e da visão de que empreender parte da resolução de problemas. Assim, vê-se um número grande de empresas que, mais que negócios, se propõem a realmente entregar soluções de problemas atuais para toda a comunidade onde estão inseridas – tendo o lucro como uma consequência imediata dessa entrega, e não como uma causa.    

 

O propósito pode estar em várias frentes e podemos enumerar algumas delas, como: 

 

– Melhora da qualidade de vida que um produto ou serviço irá oferecer: mesmo em um negócio B2B, pode-se desdobrar qual o benefício na ponta dessa cadeia. O que o serviço ou produto reduzirá de tempo ou dinheiro do consumidor e como isso se traduz em mais tempo e recursos para esse consumidor (ou para o trabalhador que faz parte dessa cadeia produtiva) buscar atividades de lazer, saúde e bem-estar; 

 

– Novos meios em vez de novos fins: muitas startups revolucionam – por meio da tecnologia, da logística ou da inovação – cadeias produtivas de ponta a ponta, oferecendo novas perspectivas para setores antes em crise, defasados ou com produção com uso excessivo de recursos naturais. Esses propósitos dizem respeito não ao serviço/produto oferecido, mas sim a como produzi-lo. Por exemplo, empresas que se transformaram em símbolos de extração consciente de recursos naturais, de respeito ao colaborador e ao cliente final ou de consciência do impacto social que podem gerar, simplesmente pela maneira com que o modelo de negócios é estruturado; 

 

– Inovação como base de mudança social: não é rara uma pequena inovação mudar uma situação negativa no mundo e impactar um número grande de pessoas. Por exemplo, quando falamos de smart cities (cidades inteligentes), estamos considerando uma série de inovações que dialogam entre si e que foram desenvolvidas de uma forma aberta, para interagir com outras tecnologias. Juntas beneficiam a qualidade de vida de cidades inteiras, com menos trânsito, menos poluição, menos stress, mais conforto e saúde. Cada app que compõe uma smart city, ou cada pequena parte de inovação tecnológica inserida nesse contexto, terá um impacto de grandes proporções em conjunto com outras tecnologias; 

 

– Defesa de causas: as causas podem ser variadas, tanto em suas temáticas quanto em relação ao público-alvo delas. Grande parte das vezes, o foco da causa não é nem mesmo o cliente, mas sim uma causa em que seu cliente se mobilize também para apoiar ou que fará com que o veja com outros olhos. Por exemplo, a diversidade na contratação de funcionários, escolha por processos limpos que não poluam o meio ambiente, o empoderamento feminino dentro da empresa, o uso de matérias-primas sustentáveis e até mesmo o respeito aos clientes e fornecedores como ponto central de seu serviço.      

  

E se o propósito está presente de forma clara no negócio, ele também estará presente em seu crescimento e na escolha do investidor. No início do ano, por exemplo, Larry FinkCEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, divulgou uma carta aberta ao mercado em que convidava CEOs de todo o mundo a prestarem mais atenção na sustentabilidade de seus negócios. Fink dizia na carta, intitulada sense of purpose (Um senso de propósito), que os investidores estão buscando atingir suas metas, mas com empresas guiadas pelo crescimento de longo prazo. 

 

“A sociedade está demandando que companhias, sejam públicas ou privadas, sirvam a um propósito social. Para prosperar através do tempo, toda companhia deveria não apenas entregar uma boa performance financeira, mas mostrar como isso gera uma contribuição positiva para a sociedade. Companhias deveriam beneficiar todos os seus stakeholders, incluindo acionistas, empregados, clientes e as comunidades onde estão inseridas”, reforça Fink em sua carta. 

 

A COO para América Latina da BlackRock, Karina Saade, também já esteve no Brasil e declarou, ao participar do Fórum Econômico Mundial, que pesquisas feitas pela gestora de recursos mostram que empresas com propósito claro têm uma vantagem competitiva, tanto para atrair os melhores talentos e retê-los quanto para alinhar a estratégia de longo prazo entre a gerência da companhia e os acionistas. 

 

Quando se trata de startups, o propósito pode ser o ponto inicial de uma longa jornada de sucesso. 

 

 

Sobre o Autor 

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Relação cérebro-máquina: novas interfaces estão sendo criadas

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Ex-Machina, Big HeroWall-E, Ela, Black Mirror e até Power Rangers, lá atrás nos anos 90. Todos esses filmes e séries tratam de maneiras diferentes a interação entre homens e robôs, das mais românticas às mais práticas, o tema há décadas é alvo de especulação e de fantasias.  

 

Em Black Mirror, especificamente, há um episódio em que essa interação aparece de duas maneiras: um acidente envolvendo um carro-robô entregador de comida e um humano (interação homem-robô), que acaba desencadeando uma pesquisa da empresa de seguros para solucionar o acidente. Essa empresa utiliza uma máquina que capta a memória das pessoas permite que outro a assista, com detalhes perfeitos do ponto de vista do observador. Nesse momento, uma outra interação acontece: a cérebro-máquina, em uma comunicação direta da máquina com o cérebro, sem necessidade de movimentos ou de interação humana. 

 

As interfaces cérebro-máquina (também chamadas de ICMs) são conjuntos de sistemas que permitem a comunicação entre cérebros e máquinas, sem o intermédio do sistema neuromuscular. Esse tipo de tecnologia mede atividades cerebrais associadas à intenção do usuário e traduz as atividades cerebrais gravadas para sinais controlados correspondentes. Essa definição, de Bernhard Graimannpublicada em 2010, ainda é atual e complementada pela evolução da tecnologia nesse tempo. 

 

Os usos também são variados e os dispositivos categorizados em diferentes funções: 

 

Repor – que substituem algo que o cérebro controlava e que passa a ser substituído por uma máquina, como as cadeiras de roda guiadas pelo direcionamento do cérebro de quem a usa quando não se pode empurrá-la com as mãos. 

 

Restaurar – usadas para treinar novamente uma função, por exemplo, com dispositivos utilizados na fisioterapia para que cérebro e músculo voltem a fazer os movimentos anteriormente aprendidos. 

 

Aprimorar – quando dispositivos se comunicam com o cérebro humano para melhorar a performance. Por exemplo, carros com direção sensível aos pensamentos dos motoristas que podem entender uma mudança na atividade cerebral que indique que o motorista está prestes a pegar no sono, gerando um movimento que o desperte. 

 

Suplementar – quando homens e robôs podem trabalhar juntos, por exemplo ajudando a fazer duas vezes mais rápido uma ação que uma pessoa está fazendo, seguindo seus movimentos, por exemplo para deslocar objetos ou carregar um caminhão.    

 

Melhorar – com interfaces e seres humanos unidos em prol de uma melhora de performance, como um dispositivo que pode ser acoplado no braço e utilizar as conexões cerebrais para entender mais rápido a intenção de movimento e aplicá-la, seja em uma atividade que demanda mais rapidez ou mais precisão, como robôs usados em cirurgias.     

 

Entre todas essas áreas, os principais estudos nesse tempo foram feitos na área da saúde. Por exemplo, para repor funções que foram perdidas por acidentes ou doenças, como uma pessoa que perdeu a fala e que pode voltar a se comunicar por meio de uma interface que analisa o funcionamento do seu cérebro, transforma em palavras escritas e as lê como os sintetizadores de voz hoje fazem em tantos apps atuais, como Waze e Google Translate. 

 

A complexidade aumenta quando essas interfaces evoluem. No livro Brain-computer Interfaces, por exemplo, os autores Jonathan Wolpaw e Elizabeth Winter Wolpaw explicam que um mesmo pensamento precisa ser lido para gerar diferentes ações. Por exemplo, em um jogo virtual de futebol, em que o cérebro do jogador esteja direcionando os movimentos por meio de um dispositivo: quando ele decide chutar, que chute será esse? Forte, fraco, em que direção, fazendo que movimento e com que intenção?  

 

As interfaces cérebro-máquina estão evoluindo para entenderem além de sinais, os contextos e ambientes em que eles estão inseridos. Por exemplo, ao chutar a bola no jogo virtual de futebol, a interface consegue entender qual o momento do jogo. O avatar pode correr até a bola se ela estiver distante para o chute, pode fazer um passe curto para um jogador próximo ou pode entender pelo contexto que se trata de um chute a gol. Para fazer isso, essas interfaces combinam o comando dos usuários com outras informações relevantes para que possam estar integradas a um ambiente inteligente e a sistemas atentos ao contexto.      

 

E existe ainda um outro tema profundo e extremamente complexo que trata diretamente a mudança na relação homem-máquina, que é a interpretação semântica das emoções, chamada de Emotional Intelligence ou Affective Computing. Se hoje já podemos dominar dispositivos usando apenas a atividade cerebral, imagina quando pudermos controlar emoções nesses dispositivos, com a mesma facilidade?  

 

Nesse processo de machine learning (aprendizagem de máquina), a evolução do conhecimento dos robôs e, consequentemente, da interação com nosso cérebro acontece de maneira bastante rápida e escala muitos degraus de uma só vez, já que uma única pesquisa ou novo dispositivo influencia uma indústria inteira de interfaces inteligentes que podem fazer essa comunicação direta com o cérebro humano.  

 

Com milhares de neurônios sendo estudados simultaneamente e processados em computadores com velocidade de processamento muito maior que de nosso cérebro, somamos o melhor de dois mundos. Quando mais evoluímos os dispositivos e robôs, mais evoluímos nós mesmos. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

www.tegup.com.  

Coisas conectadas: como elas vão liderar o setor de transportes

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

O mercado de Internet das Coisas (IoT) no Brasil movimentou US$ 1,35 bilhão em 2016puxado pela indústria automotiva e pelas verticais de manufatura, de acordo com estudo a Frost & Sullivan. Até 2021, receitas de US$ 3,29 bilhões são previstas — a estimativa se refere a hardware (módulo de conectividade e outros componentes), software e serviços diretamente ligados a soluções IoT. 

 

Se hoje olhamos que coisas conectadas estarão mais presentes no mercado, quando se trata do mercado automotivo não haverá o que não seja conectado. Desde carros a componentes que o formam e que dialogam com eles – com eles, não com humanos – pelas ruas e estradas.   

 

A CET está substituindo parte de seus funcionários por radares inteligentes de velocidade – que enxergam sua placa e buscam débitos relacionados a ela muito mais rápido que pessoas – e, quando não, drones. E com mais carros conectados nas ruas, logo não será preciso nem mesmo reconhecer a placa, pois o próprio carro se entregará aos sistemas ou os utilizará para garantir segurança e melhor dirigibilidade.       

 

autodesligamento e partida quando um carro para no farol também já é uma realidade de muitos carros. Mas a Audi está indo além desse dispositivo e testando um programa que verifica se o farol está aberto ou fechado antes de chegar até ele. As luzes de tráfego da cidade serão captadas diretamente pelo carro, que pode reduzir a velocidade ou acelerar somente quando necessário.  

 

A comunicação do carro ou caminhão com outros objetos ao redor também passa a ser automática. Por exemplo, para debitar o valor de um pedágio, alertar os órgãos públicos e de saúde em caso de acidentes ou avisar ao carro atrás que é hora de frear. 

 

Com a conexão fácil, aumentam também as possibilidades de lazer e de conforto, com a conexão do carro com lanchonetes que entregam seu pedido preferido na hora, sem precisar parar em cabines, apenas entendendo que seu carro está se aproximando e finalizando o pedido. Ele pode até tocar a música mais adequada automaticamente, de acordo com cada pessoa que estiver dentro do carro. 

 

E se veículos comerciais representam ainda a maior parte da conexão M2M (máquina para máquina) no mercado nacional, mas a situação pode logo inverter. A tendência é o crescimento exponencial dos sistemas de rastreamento de veículos de transporte e de cargas, com o reporte integrado e automático do veículo sempre que algo sair do planejado – e muitas vezes planejado pelo próprio veículo, não mais por um gerente de logística.   

 

A coleta de informações é outra frente essencial da IoT. Um projeto da Microsoft no Alaska colocou sensores da Weathercloud nos seus veículos de manutenção das estradas, coletando dados das condições da rodovia e do tempo (como temperatura da estrada, umidade, precipitação, etc.), automaticamente transmitindo isso via Bluetooth para o smartphone dos funcionários envolvidos. Os dados, computados pelo Microsoft Azure, são analisados automaticamente e criam um dashboard que ajuda as autoridades, os motoristas e o governo a tomarem as melhores decisões para a segurança da população frente a perigos climáticos.  

  

A Vodafone, que recentemente publicou um reporte sobre IoT na indústria de automóveis, ainda destaca 3 maneiras de uso dessa tecnologia para proteção dos condutores: os aplicativos de seguro sob medida (UBI), que registram detalhes do estilo de condução, local e horário;  os alertas de manutenção, que podem rastrear tudo, desde a pressão dos pneus até a temperatura do óleo; e os aplicativos de gerenciamento de frota, usados por empresas de aluguel, leasing e transporte, que podem monitorar quem está usando o veículo e a quilometragem.  

 

Eles entendem também que a IoT será responsável pela conexão de um amplo ecossistema automotivo, incluindo OEMs (fabricantes), concessionárias, seguradoras, fornecedores de acessórios, órgãos do setor público e outros provedores de serviços, tudo sendo transformado em informações de um modo complexo. 

 

Com todos participando desse ecossistema, a grande questão passa a ser segurança. A mesma pesquisa mostra que as empresas do setor automotivo mostram mais confiança que as outras para afirmar que têm o que precisam para gerenciar a segurança da IoT: 71% afirmam que seus processos são adequados e o mesmo montante afirma que sua tecnologia é robusta o suficiente.  

 

Com tantos ataques hackers acontecendo em sites e sistemas diversos, será que as novas soluções de IoT na indústria automotiva estão mesmo preparadas?  

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento. 

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3 filmes para empreendedores inspirados 

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Somos formados por frases, histórico de vida e empurrões vindos de muitos lados.  

Tanto aqueles que nos educam quanto as pessoas com as quais trabalhamos são responsáveis por grande parte da influência dos líderes que nos tornamos. Porém, muitas vezes o que nos move vem da história de vida de quem nem conhecemos. Ídolos, personagens históricos e até mesmo personagens literários tornam-se nossos exemplos. 

Fizemos uma lista de filmes que trazem um pouco desse ar de inspiração que tanto buscamos nos outros – e em nós mesmos. Confira:    

 

1.O Discurso do Rei 

 

Desde os 4 anos de idade, Berty, como era carinhosamente chamado o Príncipe Albert da Inglaterra, gaguejava, passava constrangimentos sem fim e se tolhia das falas em público. Ele levava a vida com isso, buscando especialistas que o ajudassem a curar seu problema, sem ter grandes avanços. 

Até que chegam tempos difíceis na Inglaterra. O irmão mais velho do príncipe, Edward VIII, apaixonado por uma norte-americana, abandona suas responsabilidades de Rei, assumidas após a recente morte do pai. 

O governo inglês vive um dos períodos mais conturbados da história mundial, os dias que antecedem a Segunda Guerra Mundial, com o avanço de Hitler ameaçando a Europa. Em meio a esse conflito, não resta ao Príncipe outra opção a não ser assumir a coroa e mostrar a toda uma população sua respeitabilidade e força – itens que não combinam muito com o gaguejar de cada pronunciamento.  

Chega então o momento do Príncipe Albert ascender ao trono como Rei George VI. Sabendo que o país precisa que ele seja capaz de se comunicar perfeitamente, Elizabeth, sua esposa, contrata Lionel Logue para ajudar o Príncipe a superar a gagueira. E, fazendo diferente do que todos os outros antes fizeram, Lionel encontra a solução para o Rei.    

Rei George inspira pela busca. Olhar pra dentro, acreditar que se pode mais do que se é e partir para a ação. Lionel Logue inspira pela crença de que não há um único caminho para se chegar ao sucesso. Não é preciso ensinar como nos foi ensinado, nem é preciso viver como outros já viveram. Criatividade, coragem e a convicção em seus métodos nada convencionais fazem com que a situação mude, que o Príncipe Albert evolua, saia da zona de conforto e torne-se, enfim, Rei George. 

Em tempo: o filme ganhou 4 prêmios no Oscarde melhor roteiro original, ator, direção e filme. 

 

2. Como ser Warren Buffet 

 

Como ser Warren Buffet (Becoming Warren Buffett) é um documentário feito em 2017 pela HBO com um dos homens mais ricos da atualidade (um dos maiores filantropos também) e que dirige a quarta maior companhia do mundo, Berkshire Hathaway.  

Com o subtítulo “Descubra o verdadeiro valor da vida”, o documentário mostra essa busca pelo valor, seja no âmbito profissional, mostrando como surgiu a primeira empresa de Warren Buffett e os primeiros investimentos feitos, seja na busca atual e pessoal de alguém hoje multimilionário, pai de 3 filhos e que leva uma vida harmônica com a família e com os negócios.   

Contando sua trajetória através de depoimentos de pessoas próximas e pelo próprio Warren Buffett, o documentário aborda sua vida desde a infância, onde já se enxergam os traços de uma personalidade forte e ambiciosa.  

O estudo e a leitura também sempre tiveram a dedicação de Warren, que aos 19 anos já tinha graduação em Administração de Empresas pela University of Nebraska–Lincoln, seguida de uma segunda graduação na Columbia University.  

Como investidor, desde o início buscava os melhores negócios com uma paixão única e com um olhar direcionado, ao lado oposto de onde todos os outros investidores estavam indo. Ele comprava ações de empresas que estavam em baixa, acreditando (por número e muito estudo sobre elas) que a longo prazo renderiam.  

E renderam. Com determinação, Warren Buffett passou de vendedor de chicletes do interior para dono de uma fortuna de mais de US$ 70 bilhões – que ele usa com sabedoria, enquanto leva uma vida simples em Omaha, nos Estados Unidos.  

 

3. Julie & Julia   

 

E, claro, tem inspiração feminina também. Em Julie & Julia, duas mulheres, igualmente apaixonadas por gastronomia e pela vida resolvem dedicar estudo e trabalho para a culinária. 

As histórias acontecem em épocas muito diferentes. Julia Child é, em 1948, uma americana que passou a morar em Paris devido ao trabalho de seu marido, diplomata, e começa a escrever o livro de receitas que a tornaria famosa. Cinquenta anos depois, Julie Powell, em Nova York, frustrada com seu trabalho em uma central de apoio às vítimas do ataque de 11 de setembro, decide começar um blog para contar a experiência de cozinhar as 524 receitas do livro de Julia.  

Enquanto lutam atrás da profissão dos seus sonhos e de satisfação pessoal, é igualmente forte a busca pela aceitação do outro.  

Julie queria comentários em seu blog, Julia queria o aceite de um publisher para seu livro e a confiança da megera administradora da Le Cordon Bleu 

Por várias vezes surgem pessoas tentando fazê-las desistir, seja a administradora da escola mais famosa de gastronomia do mundo, dizendo à Julia “Você nunca será profissional”, seja a própria mãe de Julie achando a ideia da filha uma perda de tempo. 

OvercompetitiveObsessive. São algumas das palavras que os respectivos maridos usam para descrever Julie & Julia. E elas aprendem a lidar com esse lado perigoso de quando se tem uma ideia fixa (e seus pacientes maridos também tentam lidar da melhor maneira com isso, apesar de nem sempre ser fácil). 

As duas personagens traçam seus caminhos com essa obsessão interior e com a frustração da busca de uma perfeição que, todos sabemos, não se é possível alcançarMas, para elas, desistir definitivamente não é uma opção.   

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento. www.tegup.com.  

Design Thinking: por que essa metodologia é tão importante para startups?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Oito a cada dez empreendedores que começam um negócio chegam à falência nos primeiros 18 meses, mostra uma pesquisa da CB Insights sobre o mercado norte-americano, mas que também reflete nossa realidade.  

Por que quase 80% dos negócios não dão certo? O item campeão para explicar a falência dessas startups é “falta de demanda do mercado”. Ou seja, produtos e serviços considerados essenciais ou de grande potencial na verdade eram uma ilusão, pois não tinham demanda dos consumidores – e não foram testados antes de serem colocados no mercado. 

 

O Design Thinking, técnica popular entre empreendedores (mas não só) versa exatamente sobre esse ponto: não se pode presumir que algo seja verdadeiro sem testar, sem prototipar ou, como diz o jargão empreendedor, sem pivotar. 

 

O termo Design Thinking surgiu ainda nos anos 70, nos Estados Unidos, com a publicação do livro “Experiences in Visual Thinking”, de Robert H. McKim. Ele defendia que usar estratégias de “pensamento visual” era uma forma consciente de desbloquear a criatividade e de potencializar a capacidade que temos de resolver problemas.  

 

Esses preceitos foram aprofundados por diversos outros escritores até o dia de hoje, com destaque para Rolf Faste, da Stanford University, que definiu os primeiros passos para o Design Thinking, e pela empresa IDEO, cujo CEO Tim Brown define o termo como “uma abordagem centrada nas pessoas e voltada à inovação” e que “integra as necessidades das pessoas, as possibilidades tecnológicas e as necessidades para se ter um negócio de sucesso”. 

 

Os 5 passos hoje mais usados para descrever o Design Thinking estão listados abaixo e funcionam em um ciclo constante:  

 

  • Empatia: entenda as necessidades daqueles para os quais você está criando algo; 
  • Definição: veja problemas como oportunidades para soluções criativas; 
  • Idealização: gere uma variedade de possíveis soluções; 
  • Protótipos: comunique os principais pontos de suas soluções para outras pessoas; 
  • Testes: aprenda o que funciona e o que não funciona na prática para melhorar suas soluções. 

 

No livro Glimmer, de Warren Berger, o autor defende o Design Thinking como “uma maneira de atravessar a barreira superficial do marketing e de entrar no centro do problema com questões como: o que as pessoas realmente querem? Como podemos fornecer isso de uma melhor maneira?”. 

 

Berger explica que os negócios serem focados em oferecer produtos e serviços que as pessoas realmente precisam parece algo óbvio, mas que na prática isso não acontece por duas razões: “muitas vezes, as companhias estão mais focadas em suas capacidades já existentes e nos seus objetivos de negócios em vez de estarem focados nas necessidades do outro”. 

     

A aplicação dessa abordagem de negócios, além dessa nova visão estratégica dos executivos, pressupõe também algumas novas habilidades dos profissionais de diferentes áreas. Duas delas são muito presentes: a habilidade de trabalhar em colaboração (é preciso uma equipe com esse mesmo olhar abrangente e acreditando no processo de construção coletiva) e o hábito de desenvolver processos não-lineares (muitas vezes um teste ou prototipagem de produto faz com que tudo volte ao início do processo, enquanto outros testes e estudos estão acontecendo simultaneamente – não há um único caminho ou resposta a seguir já pré-definido no início do projeto).  

 

E o conceito de Design Thinking também está ligado a outros dois conceitos presentes no dia a dia de startups: as abordagens de negócios “human centric” (centrados no homem) e “customer centric” (centrados no cliente). Essas expressões reforçam a necessidade dos produtos partirem da necessidade do cliente (identificada muitas vezes pela empresa antes mesmo do cliente se dar conta). Ela demanda uma postura que reforça que o cliente é o ponto de partida e de chegada de qualquer negócio. 

   

Mais que uma metodologia, o Design Thinking é também uma forma de pensar e de encarar problemas. Para isso, mais do que aplicar o passo a passo, o que esse conceito reforça para startups é a necessidade de uma visão mais aberta, com empatia para entender os reais problemas do cliente e como solucioná-los, com visão ampla para unir conhecimentos de áreas diversas e com desprendimento para alterar e reformular produtos e serviços até que se tornem verdadeiramente úteis para os clientes.  

 

Assim como é preciso ter coragem para se começar a empreender e criar uma startup disruptiva, é preciso ter coragem para aplicar o Design Thinking constantemente no dia a dia de sua empresa. Isso significa rever processos, produtos e serviços, e tombar quantos conceitos forem necessários para gerar, de fato, inovação. 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento. www.tegup.com.