Homem x robô: ganhamos ou perdemos?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Já faz quase um ano que a AlphaGo Zero, Inteligência Artificial da DeepMind, comprada pela Google, conseguiu entender o jogo de xadrez em 24 horas e derrotar sua versão anterior - que já havia batido os principais campeões mundiais de xadrez. A melhor parte foi que, enquanto nós humanos passamos anos em sala de aula para aprender (um pouco) do mundo, os robôs não precisam nem de nós para ensiná-los. No caso do AlphaGo Zero, não houve intervenção humana durante o aprendizado de como jogar xadrez. Ele não foi ensinado com exemplos de jogadas, referências de jogos passados, nada. Ganhou de todos apenas tendo recebido as regras do jogo. 

 

Mas isso significa que os robôs sempre vão ganhar? 

 

As opiniões dos pesquisadores são variadas, mas, no geral, aponta-se que há jogos a serem ganhos dos dois lados.   

 

Richard Murnane e Frank Levy, dois pesquisadores de economia e tecnologia, o primeiro da Escola de Educação de Harvard e o segundo do Massachusetts Institute of Technology, defendem que há três pontos em que os humanos ainda são imbatíveis:  

 

1 – A resolução de problemas não estruturados: os humanos ainda são melhores e mais eficientes para resolver problemas que precisem usar dados ainda não conhecidos ou chegar a novas soluções para os problemas já existentes. O xis da questão é que esse tipo de problema exige criatividade, algo que os robôs ainda não estão estruturados para utilizar. 

 

2 – Trabalhar com novas informações: em todos os casos que um problema exigiu comunicação ou interação social para ser resolvido, o robô teve mais dificuldade para resolvê-lo. Principalmente quando se trata de informações necessárias para entender qual é o real problema ou se ele precisar “tirar” informações das pessoas pelos meios normais de comunicação.    

 

3 – Tarefas manuais que não têm rotina: embora evoluam rapidamente em diversos setores, quando se trata de rotinas manuais que não seguem um padrão (ou seja, que não têm uma base de dados ou regras que possam ser consultadas para executá-las), os robôs ainda perdem para os humanos. Alguns exemplos que os dois pesquisadores dão são: um médico diagnosticando uma doença com sintomas desconhecidos; um mecânico que precisa fazer o reparo em um automóvel de um problema que não estava previsto e, portanto, não estava em nenhum manual; ou um encanador que vai até uma casa muito antiga consertar um encanamento que não é padronizado com os demais. 

 

Há também pesquisadores que indicam uma outra habilidade humana que não foi superada: a capacidade de planejamento que nós temos. Os robôs conseguem ver as possibilidades de acordo com os dados que têm, mas não conseguem planejar em curto, médio e longo prazo com a complexidade que o cérebro humano planeja.  

 

Um robô advogado com certeza irá analisar os casos muito mais rápido que um humano, bem como vai entender o comportamento padrão de cada juiz e de cada advogado – analisando até os argumentos mais comuns de cada caso e de cada pessoa que estiver na oposição – mas não vai saber sozinho o que fazer caso surjam novos argumentos, caso as pessoas falem com ironiase o sentimento for mais importante que o discurso ou os fatos para a decisão de um determinado caso. 

 

Um professor, por exemplo, não vai ter na memória todas as informações que um robô grava. Ele não vai ter o histórico completo de materiais e provas produzidos pelo aluno, nem a base de dados para em minutos gerar e corrigir provas. Mas um professor robô (ou um software educacional) não vai conseguir entender que há um jeito certo de lidar com cada ser humano para incentivá-lo a aprender, não vai demonstrar empatia e apoio para o aprendizado de uma criança e (ao menos por enquanto) não saberá lidar com a carga emocional que envolve o processo de aprendizagem – que é único para cada pessoa. 

 

Falando em educação, Nicole Wilson, ex-vicepresidente daSingularity University, acredita que a educação em tecnologia é o caminho mais importante e de maior crescimento para o momento em que vivemos. As tecnologias exponenciais estão à nossa disposição para mudar o que precisamos saber, como enxergamos o processo de aprendizagem na escola e na sociedade e como vamos continuar ensinando e aprendendo no futuro. 

 

Voltando aos jogos: há casos de games complexos, como o StarCraftem que os robôs ainda não conseguem superar humanos. Já perdemos no xadrez, mas ainda temos esperança de continuar liderando esta Terra – ao menos por algum tempo.   

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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