O que os investidores-anjo buscam nas empresas de tecnologia que estão surgindo?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

Hoje o modelo mais comum de investimento para quem está nos primeiros passos do negócio e quer captar fundos é o investimento-anjo. Esse tipo de investimento geralmente é feito por pessoas físicas que têm seu próprio capital e buscam investir em empresas iniciantes e com alto potencial de crescimento e lucro, como as startups. 

 

Segundo estimativas da ONG Anjos do Brasilem 2016 já havia cerca de 7 mil investidores-anjo ativos no paísEsse número vem crescendo, em média, 15% desde 2011, quando cerca de 5,3 mil pessoas optaram por esse tipo de investimentoA ONG reforça também que o termo “anjo” é utilizado pelo fato de não se tratar de um investidor exclusivamente financeiro que fornece apenas o capital necessário para o negócio, mas também apoia o empreendedor aplicando seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamento para orientá-lo e aumentar suas chances de sucesso.  

 

Quando falamos de investidores individuais ou (o que é mais comum vermos no mercado) investidores reunidos em grupos de investimento, é preciso, antes de tudo, buscar um match entre o perfil da startup e o perfil do investidorHá quem busque negócios em áreas específicas, localidades menos exploradas, aplicação em certas indústrias ou até mesmo empresas atreladas a causas sociais. 

 

Quando se trata de grupos de investidoresfica mais fácil conseguir esse match, já que cada grupo de investidor costuma seguium viés diferente. A SP Ventures, por exemplo, busca empresas que atuem nos setores de Tecnologias Agropecuárias; Tecnologias em Saúde; Novos Materiais e Nanotecnologias; e Tecnologias da Informação e Comunicação com foco corporativo. A Berrini Ventures é ainda mais específica e conecta investidores que buscam apenas startups nos ramos da saúde e apresentem alto potencial para solucionar os maiores desafios do sistema de saúde atual. 

 

Deixando de lado o setor de atuação e indo para o perfil da empresa em si, a exigência aumenta. A SP Ventures, por exemplo, tem uma lista de 5 itens que demanda das empresas que analisa para investir: 

Empreendedores tecnicamente diferenciados e com boa capacidade de gestão;  

Soluções com forte base tecnológica e boas condições de escala;  

Mercado local de grandes proporções;  

Sede no estado de São Paulo;  

Faturamento inferior a R$ 18 milhões ao ano. 

 

Além das peculiaridades de cada grupo, grandes investidores, no geral, dificilmente voltam sua atenção a uma startup que não tenha um MVP (Minimum Viable Product) bem estruturado, ou seja, uma versão mais simples de um produto que pode ser lançada com uma quantidade mínima de esforço e desenvolvimento. O livro The Lean Startupde Eric Ries, define esse produto como “aquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo construir-medir-aprender, com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento”. Ou seja, é um protótipo do que a empresa pode oferecer para o mercado, mas não é apenas um teste, é uma versão real, com feedback de usuários ou potenciais clientes dizendo o quanto aquele produto ou serviço é realmente eficiente, relevante ou inovador – mesmo que não seja ainda o produto na sua completude ou no formato/tamanho final.  

 

Outra questão importante antes de bater na porta do investidor ou abrir uma rodada de investimento é saber exatamente o que está buscando. A startup precisa ter um plano estruturado de captação que responda às seguintes perguntas 

O investimento será usado para capacitar a empresa, para expansão ou para abertura da operação em um mercado específico?  

Qual porcentagem da empresa será oferecida em troca de investimento? 

O que se espera desse investidor? Simplesmente o aporte financeiro ou consultoria e acesso ao mercado? 

Que tipo de investidor está sendo buscado para a rodada de investimento? 

 

A ACE, uma das pioneiras do mercado de startups, também reforça que antes de iniciar qualquer rodada de captação é importante que a empresa tenha preparado: 

Seu melhor pitch deck (leia mais sobre como montar seu pitch baixando o eBook da tegUP) – apresentação que explica o problema que o produto se propõe a resolver, quem são os stakeholders, por que é um produto único, quais são seus diferenciais e qual sua importância para o mercado; 

Ustorytelling impecável sobre sua startup – ou seja, a história de criação e da importância da existência da empresa, de uma maneira narrativa e não apenas com uma lista de informações; 

Métricas – mostrando onde a startup se encontra e o que tem potencial para entregar; 

Quanto e para quê se pretende levantar recursos – não há como atrair dinheiro para um fim se esse fim não for claro nem mesmo para quem está no dia a dia da operação e do planejamento financeiro da empresa. 

 

E quais são os valores possíveis? A ACE publica que, normalmente, uma rodada de anjos varia entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão, dependendo do estágio da empresa e da necessidade de capital. De fundos de investimento Seed e Series A, os valores costumam partir de R$ 1 milhão.  

 

A Anjos do Brasil divulga que o investimentoanjo em uma empresa é normalmente feito por um grupo de 2 a 5 investidores, tanto para diluição de riscos quanto para o compartilhamento da dedicação, sendo definidos 1 ou 2 investidores-líderes para cada negócio para agilizar o processo de investimento. Nesse modelo, o investimento total por empresa varia entre R$ 200 mil a R$ 500 mil, podendo chegar até R$ 1 milhão. 

  

Empresários, profissionais do mercado financeiro e especialistas em startups têm declarado que o mercado continua aquecido e que há dinheiro para ser investido, esperando o melhor momento e a oportunidade. Passando as eleições, espera-se também uma aplicação maior de investimentos na economia real, por conta da estabilidade advinda do novo presidente que for eleito. O Brasil estará então em um momento que as empresas darão as caras, irão se expor e serão vistas por aqueles que estão ávidos por encontrá-las. 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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